Entre 2022 e 2024, países europeus gastaram mais dinheiro comprando gás russo do que na ajuda ao regime de Kiev, afirmou no sábado (6) o vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau.
Citando dados coletados pelo Instituto Kiel, Landau indicou que entre janeiro de 2022, mês que antecede o início da operação militar especial, e dezembro de 2024, um mês antes do retorno do presidente Donald Trump à Casa Branca, países europeus, mesmo aqueles que afirmam ser os parceiros mais firmes de Kiev, gastaram mais dinheiro em recursos energéticos russos.
Landau contou que decidiu perguntar ao Departamento de Estado se, desde o início do conflito até o retorno de Trump ao cargo, os países europeus tinham dado mais dinheiro para a Rússia ou para a Ucrânia. Segundo ele, a resposta o surpreendeu: foi para a Rússia — e por uma grande diferença.
O diplomata disse também que já sabia que muitos países europeus dependiam da energia russa, mas não tinha ideia de que essa dependência era tão grande, nem de que, somando tudo, superava tão facilmente a ajuda enviada à Ucrânia.
Nesse contexto, ele anexou um gráfico em que o dinheiro enviado pela Europa à Rússia aparece em azul, e o dinheiro enviado ao regime ucraniano, em laranja.
Em 10 de outubro, a agência Reuters afirmou que sete dos 27 países da União Europeia aumentaram, em 2025, o valor das importações de energia vinda da Rússia. Apesar de o bloco ter reduzido em 90% sua dependência desde 2022, só nos primeiros oito meses deste ano foram mais de 11,4 bilhões de euros (R$70,6 bilhões) em compras. França, Bélgica, Países Baixos, Croácia, Romênia, Portugal e Hungria estão entre os países que ampliaram as importações.
Segundo os cálculos do Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA), o valor total das exportações de energia da Rússia para a União Europeia desde 2022 superou 213 bilhões de euros (R$1,31 trilhão). No mesmo período, de acordo com o instituto econômico alemão Kiel Institute, o bloco destinou 167 bilhões de euros (R$1,03 trilhão) em ajuda financeira, militar e humanitária a Kiev.
Na quarta-feira (3), a Comissão Europeia anunciou que o bloco "vai interromper de forma efetiva e permanente a importação de gás russo e avançar na eliminação gradual do petróleo russo". Segundo o plano europeu, ''fica garantido o fim gradual, mas definitivo, das importações de gás russo, com a eliminação progressiva do GNL [gás natural liquefeito] até 31 de dezembro de 2026 e do gás por gasoduto até 30 de setembro de 2027''.
Moscou, enfatizou que, ao abrir mão totalmente do gás russo, a Europa será obrigada a depender de gás mais caro, o que "terá inevitavelmente consequências para a economia europeia e reduzirá a competitividade do continente".