EUA "à beira do abismo": famoso investidor alerta sobre guerra civil no país

Devido à dívida dos EUA e ao possível impacto de novos conflitos, Ray Dalio acredita que os investidores devem tentar transferir parte de seu dinheiro para fora do país.

O investidor e filantropo norte-americano Ray Dalio aconselhou outros investidores a retirarem parte de seus ativos dos Estados Unidos, pois, segundo ele, as chances de uma segunda guerra civil no país cresceram exponencialmente.

Em uma entrevista publicada na quinta-feira pelo Financial Times, o fundador do maior fundo de hedge do mundo, a Bridgewater Associates, disse que os EUA estão "à beira do abismo", já que a probabilidade de eclosão de uma guerra no país varia de 35% a 40%.

Devido à dívida dos EUA e ao possível impacto de um novo conflito, Dalio disse que os investidores deveriam tentar retirar parte de seu dinheiro do país. "Estou preocupado com os títulos do Tesouro devido aos altos níveis de endividamento, juntamente com as altas taxas de juros", afirmou, ressaltando que também está preocupado com a "diminuição da demanda para atender à oferta, particularmente dos compradores internacionais".

Nesse contexto, Dalio apontou países como Índia, Singapura, Indonésia, Malásia, Vietnã e alguns Estados do Golfo como "destinos de investimento potencialmente atraentes".

Polarização política nos EUA

As advertências de Dalio decorrem de uma suposta aceleração da polarização política a poucos meses da eleição presidencial entre o atual presidente, Joe Biden, e o republicano Donald Trump, que, segundo ele, servirá como um teste decisivo para determinar se os riscos sairão do controle.

O analista financeiro garante que, se Trump for eleito, ele seguirá "políticas mais direitistas, nacionalistas, isolacionistas, protecionistas, não regulatórias e mais agressivas para combater inimigos internos e externos, inclusive políticos". Por outro lado, se o Partido Democrata permanecer, com ou sem Biden, "será mais o oposto, embora eles também joguem duro politicamente", acrescentou.

Segundo ele, essa guerra civil seria aquela em que "as pessoas se mudam para estados diferentes que estão mais alinhados com o que elas querem e não seguem as decisões das autoridades federais da persuasão política oposta".