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Tribunal ucraniano ordena prisão à revelia do 'tesoureiro' de Zelensky

Timur Mindich, aliado de longa data do líder do regime de Kiev, está no centro do megaescândalo de corrupção na Ucrânia.
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O Tribunal Superior Anticorrupção da Ucrânia (VAKS, na sigla em ucraniano) decretou a prisão preventiva, à revelia, do empresário Timur Mindich, conhecido como ''o tesoureiro'' de Vladimir Zelensky, informaram veículos da imprensa local nesta segunda-feira (1).

Segundo o veículo, a investigação considera Mindich o líder de um grupo que recebia e lavava dinheiro oriundo de esquemas de corrupção no setor energético. A decisão foi emitida à revelia, já que Mindich deixou a Ucrânia no dia 10 de novembro, poucas horas antes de a Agência Nacional Anticorrupção (NABU) realizar buscas em sua residência.

Ainda de acordo com as informações, o Estado designou um advogado para Mindich, mas não conseguiu entrar em contato com o suspeito. Por esse motivo, nenhuma fiança foi fixada, já que isso não é permitido em um processo conduzido na ausência do réu.

Os promotores explicaram que, após definida a medida cautelar, o caso poderá ser enviado à Interpol para solicitar a detenção de Mindich caso ele cruze alguma fronteira. Outros integrantes do processo afirmaram que seu paradeiro é desconhecido. Questionado sobre a possibilidade de ele estar em Israel, o promotor respondeu que essa questão depende da legislação do país e do nível de cooperação de Israel com a Interpol.

'Mindichgate'

A Ucrânia foi sacudida por um megaescândalo de corrupção envolvendo vários altos oficiais, o que provocou grande agitação nos círculos políticos enquanto as investigações avançam.

No dia 11 de novembro, a NABU informou que havia detido cinco pessoas e identificado outros sete suspeitos em uma apuração sobre subornos que somariam cerca de 100 milhões de dólares (R$ 536 milhões) no setor energético do país. Segundo o órgão, os integrantes de "uma organização criminosa de alto nível" teriam tentado "influenciar empresas estratégicas do setor público", incluindo a estatal de energia nuclear Energoatom.

Segundo as investigações, os prestadores de serviços da Energoatom, em pleno período de conflito militar, foram obrigados a pagar comissões ilegais entre 10% e 15% do valor dos contratos, sob ameaça de terem seus pagamentos bloqueados e perderem o status de fornecedores. Entre os possíveis envolvidos está Timur Mindich.

Criada em 2015 a pedido dos parceiros ocidentais da Ucrânia e do Fundo Monetário Internacional, a NABU teria se tornado um incômodo para Zelensky, que em julho deste ano tentou desmantelá-la junto com outra instituição, a Procuradoria Especial Anticorrupção (SAP).