
Lula critica pressões ilegais e defende comércio com novos parceiros globais

Durante o encerramento do Encontro Empresarial Brasil-Moçambique, nesta segunda-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a ampliação das relações comerciais com países do sul global como resposta a medidas unilaterais e pressões que classificou como "injustas e ilegais".

Sem citar diretamente governos ou episódios recentes, Lula abordou a necessidade de uma reação ativa diante de ações externas que tentam restringir o comércio internacional. "O Brasil também elegeu a diversificação de parcerias como melhor reação para enfrentar medidas unilaterais e pressões injustas e ilegais", afirmou.
Em seu discurso, o presidente destacou o avanço do comércio exterior brasileiro ao longo de seu mandato. "Em dois anos e meio, nós já abrimos 486 novos mercados para os produtos brasileiros. Ou seja, quem quer vai, quem não quer manda. E nós queremos e nós vamos vender", declarou, dirigindo-se a empresários brasileiros e moçambicanos reunidos em Maputo.
A declaração vem na esteira de um decreto assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reduziu tarifas sobre produtos brasileiros como carne bovina, laranja, café e tomate. A ordem executiva, divulgada na quinta-feira (20), tem efeito retroativo a 13 de novembro e permite o ressarcimento de comerciantes brasileiros que já haviam sido afetados pelas tarifas punitivas.
Apesar da mudança, o Brasil não pretende deixar de expandir o comércio internacional. Para Lula, essa estratégia passa pelo fortalecimento da cooperação com países africanos. Ao criticar a ausência histórica de investimentos estrangeiros no continente, o presidente ressaltou a atuação da China como um exemplo de ocupação de espaços deixados por outras potências.
"A China desperta muita ciumeira, de um lado, de uma parte da União Europeia, que esqueceu investimento na África, de outro lado, dos Estados Unidos, que também esqueceu de investimento na África, do outro lado do Brasil, que também esqueceu de fazer investimento na África, e a China ocupou o espaço. Então, ao invés de lamentar, ao invés de criticar, vamos trabalhar", disse.
Lula afirmou que o Brasil está pronto para retomar investimentos em Moçambique e defendeu a integração entre o Mercosul e a Zona de Livre Comércio Continental Africana. Segundo ele, a ratificação do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos, assinado em 2015, será essencial para fortalecer essa relação.
"Queremos diversificar exportações, gerar emprego e integrar nossas cadeias produtivas junto com os nossos parceiros do sul global", afirmou. Entre as áreas com potencial de cooperação, ele destacou energia, biocombustíveis, saúde, agricultura, defesa e tecnologia.
