
Estados Unidos emitem alerta para voos na Venezuela

A Agência Federal de Aviação dos EUA (FAA, na sigla em inglês) emitiu nesta sexta-feira (21) um alerta de segurança sobre possíveis riscos ao tráfego aéreo na Venezuela, citando o aumento da atividade militar no país.
No comunicado, a FAA pede que voos planejados que cruzem o espaço aéreo FIR Maiquetía — que cobre grande parte do território venezuelano — sejam informados com 72 horas de antecedência. A agência também orienta que qualquer incidente de segurança seja reportado imediatamente ao centro de operações em Washington.
Maduro denuncia ameaça de invasão
No início de novembro, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, denunciou a atual presença militar dos EUA no Caribe, a maior em décadas, classificando a ação como uma ameaça de invasão e um ataque à soberania da Venezuela. Maduro afirmou que o objetivo final dessa agressão é controlar os vastos recursos naturais do país. Em um encontro com jovens, o mandatário pediu que expressem seu apoio à ideia de que "a república deve ser livre e independente para sempre" e que a juventude "deve ser rebelde".

O presidente também alertou para o "ressurgimento" da Doutrina Monroe, que, segundo ele, visa forçar uma "mudança de regime" na região. Maduro criticou o deslocamento militar no Mar do Caribe, que inclui "porta-aviões de última geração, destróieres de mísseis e submarinos nucleares", argumentando que ele está sendo realizado sob o falso pretexto de eufemismos como "segurança" ou "combate ao narcotráfico".
Em resposta, Maduro exaltou "a Doutrina Bolivariana em defesa da independência, unidade e emancipação de nossos povos" e instou os líderes latino-americanos a se unirem para "exigir a cessação imediata dos ataques e ameaças militares".
Ataques constantes
No início de novembro, Washington realizou diversos ataques a pequenas embarcações no Caribe e no Pacífico, somando-se a uma série de agressões realizadas pelos Estados Unidos nos últimos meses como parte de uma suposta operação contra o narcotráfico. Os ataques mais recentes ocorreram nos dias 9 e 10 de novembro.
As ações foram descritas como "execuções extrajudiciais" por diversas organizações de direitos humanos e especialistas em direito internacional, uma vez que são realizadas sem julgamentos, sem supervisão judicial e fora de qualquer mandato das Nações Unidas (ONU).
Desde o início das operações, com o anúncio do primeiro ataque no Caribe em 2 de setembro, autoridades americanas divulgaram apenas imagens dos bombardeios, sem mostrar a carga que supostamente transportavam, já que as embarcações foram destruídas. No entanto, após o segundo ataque, Trump declarou à imprensa que tinha "provas" de que a embarcação transportava drogas para os EUA.
Falso pretexto da luta contra o narcotráfico
Diante das acusações dos Estados Unidos, as autoridades venezuelanas articularam uma resposta unificada que rejeita o quadro de confronto bilateral e denuncia que se trata de uma campanha de agressão multilateral. Maduro classificou as ações de Washington como uma campanha de difamação e afirmou que essa estratégia busca manchar a imagem da Venezuela e de sua revolução como pretexto para agressões, algo que "já fizeram muitas vezes".
O presidente venezuelano explicou repetidamente que as agressões dos EUA contra a Venezuela visam "mudar o regime" no país e se apropriar de sua "imensa riqueza petrolífera".
Cronologia dos ataques
- Em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, um submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, alegando sua suposta disposição em combater o narcotráfico. Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostos lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, deixando dezenas de mortos.
- Washington acusou Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto cartel de drogas. As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.
- Em meados de outubro, o presidente dos EUA, Donald Trump, admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano. Em resposta, Maduro perguntou: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos?" "Alguém acredita que a CIA não conspira contra o comandante [Hugo] Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou ele.
- As ações e pressões de Washington foram classificadas por Caracas como uma agressão, que questiona a real razão por trás das operações.
- O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, supostamente para combater o narcotráfico, que resultaram em mais de 60 mortos. Especialistas e governos classificaram os ataques como execuções extrajudiciais. As ações e pressões de Washington foram classificadas por Caracas como uma agressão, que questiona a real razão por trás das operações.


