A gigante alimentar suíça Nestlé viola as diretrizes nutricionais globais ao vender cereais infantis com adição de açúcar em mercados africanos, denunciou o relatório da ONG Public Eye, que apresentou as acusações após analisar a composição de seus produtos em vários países.
O relatório, divulgado na terça-feira (18), apresenta os resultados de testes realizados em produtos Cerelac. Em colaboração com organizações da sociedade civil no continente africano, o grupo adquiriu cerca de 100 itens em 20 países e os enviou para análise ao laboratório francês Inovalys.
"Promovidos como "especialmente desenvolvidos para atender às necessidades nutricionais" dos bebês, os cereais infantis Cerelac são os mais populares no continente africano", apontou a ONG, contextualizando que o continente sofre com altos níveis de obesidade e desnutrição infantil. "As vendas anuais ultrapassam os 250 milhões de dólares e a Nestlé detém uma participação de mercado superior a 50%, segundo dados exclusivos obtidos da Euromonitor, empresa especializada no setor alimentício", completaram.
De acordo com a organização, mais de 90% das amostras continham açúcares adicionados em quantidades elevadas. Em contraste, a Public Eye observou que as versões de Cerelac vendidas na Suíça, Alemanha e Reino Unido não apresentam qualquer açúcar adicionado na sua composição.
A ONG alerta para as consequências graves que essa prática pode promover para os indicadores de saúde do continente, denunciando que a Nestlé está ciente das implicações para seus consumidores.
"O consumo elevado de açúcar acarreta riscos a curto e longo prazo para as crianças", publicou a empresa em página voltada ao público sul-africano. "O ideal é limitar o consumo de todos os açúcares adicionados para prevenir esses riscos."
Estas conclusões foram publicadas um dia após uma carta aberta da Rede Internacional de Ação pela Alimentação Infantil (IBFAN) e de outras 19 organizações da sociedade civil de 13 nações africanas. Estas alertaram o CEO da Nestlé, Philipp Navratil, que "todos os bebês têm igual direito a uma nutrição saudável - independentemente da sua nacionalidade ou cor de pele".