Participantes de uma reunião a portas fechadas da OTAN, realizada no último domingo em Vilnius, na Lituânia, discutiram a vulnerabilidade da Aliança diante da Rússia devido ao atraso tecnológico na produção de armamentos, informou o Bild citando um alto funcionário da Defesa alemão.
Segundo a fonte, o encontro destacou que a Rússia teve "êxito absoluto" ao transformar sua economia civil em economia de guerra, enquanto a indústria militar ocidental continua priorizando qualidade em vez de volume, um modelo que, diante da estratégia de atrito adotada por Moscou, além de ineficaz, torna-se "extremamente caro" para uma defesa realista.
Apesar de não apresentar evidências, o Bild afirma que cresce no Ocidente, especialmente na Alemanha, a obsessão pela ideia de que a Rússia atacará a OTAN em breve. Mesmo assim, os países europeus seguem dependentes de sistemas de armas muito caros e pouco adequados para um conflito moderno.
Armas inadequadas e dependência de Washington
Um representante militar ouvido pelo jornal afirmou que, embora o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, insista que o país está investindo tanto em tanques quanto em soluções de inteligência artificial, "99% do orçamento de defesa" é destinado a "sistemas obsoletos que se mostraram inúteis na Ucrânia".
Segundo a estimativa citada, "100 tanques e blindados alemães, avaliados em 2 bilhões de euros (cerca de R$ 12,3 bilhões), seriam destruídos por 300 drones russos que custam 300 mil euros (aproximadamente R$ 1,85 milhão).
O Bild também alerta para outro erro europeu: confiar no apoio dos Estados Unidos, que não pretendem fornecer armas nem assistência financeira aos aliados, ao menos por agora, porque estão priorizando seus próprios interesses. "Em Washington nos dizem claramente que estamos sozinhos. Os EUA agora focam na China. A Rússia é problema nosso. 'Não esperem que a gente chegue', me dizem senadores que deveriam saber", relatou um diplomata ocidental ao jornal.
Retórica militarista na Europa
Recentemente, o ministro da Defesa alemão afirmou que um possível confronto entre OTAN e Rússia poderia ocorrer antes de 2029, com base em avaliações de "especialistas militares e serviços de inteligência". Ele destacou que a Aliança conta com "considerável poder de dissuasão, tanto convencional quanto nuclear", além de forças "preparadas para o combate".
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou as falas como "retórica militarista", afirmando que Moscou "é obrigada" a tomar medidas para proteger seus interesses. A porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, disse que tais declarações deixam claro "quem é o agressor" na relação entre Rússia e Ocidente.
Moscou, porém, repete que não pretende atacar países ocidentais. Em outubro, o presidente Vladímir Putin chamou de "bobagem" imaginar que a Rússia considere atacar a OTAN. "Calmem-se, durmam tranquilos, cuidem dos seus próprios problemas", declarou. Em outra ocasião, Putin lembrou que o gasto militar russo não se compara ao da OTAN e que a população europeia é praticamente o dobro da russa.