Trump atinge menor aprovação do mandato por inflação e caso Epstein, aponta pesquisa

Pesquisa também revela que 70% dos americanos acreditam que o governo oculta informações sobre os clientes de Epstein.

A aprovação do presidente Donald Trump caiu para 38%, o nível mais baixo desde seu retorno ao poder, segundo pesquisa Reuters/Ipsos concluída na segunda-feira. O recuo ocorre em meio ao descontentamento dos norte-americanos com o custo de vida e com a forma como o governo lida com a investigação relacionada ao já falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein.

A queda ocorre enquanto a influência de Trump dentro do Partido Republicano dá sinais de desgaste. A Câmara dos Deputados, controlada pelos republicanos, aprovou nesta terça-feira uma medida obrigando o Departamento de Justiça a divulgar arquivos sobre Epstein. Trump resistiu por meses, enquanto uma de suas aliadas mais próximas, Marjorie Taylor Greene, tornou-se crítica feroz da postura do presidente. No domingo, Trump recuou, quando ficou claro que o Congresso avançaria sem seu apoio.

A pesquisa ouviu 1.017 adultos nos EUA e tem margem de erro de cerca de 3 pontos percentuais. O resultado indica queda de dois pontos em relação ao início de novembro.

Trump iniciou o segundo mandato com 47% de aprovação. A perda de nove pontos desde janeiro aproxima sua popularidade dos níveis mais baixos de seu primeiro mandato, e também das mínimas do democrata Joe Biden, cuja aprovação chegou a 35%. No primeiro mandato, Trump caiu até 33%.

Apoio republicano encolhe

Apesar de ter sobrevivido a múltiplas crises políticas e a diversas acusações após deixar o cargo, Trump sempre manteve apoio robusto entre republicanos.
Agora, porém, a pesquisa mostra a aprovação dele dentro do partido caindo de 87% para 82%.

O custo de vida é hoje a principal dor de cabeça para o governo. Apenas 26% dos americanos acham que Trump está fazendo um bom trabalho na gestão desse tema — três pontos a menos que no início do mês. A inflação segue alta desde janeiro; preços ao consumidor subiram 3% nos 12 meses até setembro, mesmo com o mercado de trabalho enfraquecido.

Ao todo, 65% dos entrevistados, incluindo um terço dos republicanos, desaprovam o desempenho do presidente no combate ao custo de vida.

A principal aposta econômica de Trump tem sido elevar tarifas sobre produtos importados para impulsionar a indústria nacional. Economistas, porém, afirmam que a medida pressiona preços. Diante do desgaste, o presidente recuou na semana passada e reduziu tarifas sobre café, carne bovina, bananas e outros itens básicos.

Impacto nas eleições parlamentares

A queda na popularidade pode fragilizar os republicanos nas eleições legislativas do próximo ano. Ainda assim, segundo o levantamento, os eleitores continuam vendo o Partido Republicano como mais competente na área econômica.

"É provavelmente o maior teste da presidência de Trump em relação à sua influência dentro do próprio partido", disse o estrategista independente Mike Ongstad, ex-republicano.

A pesquisa também mostra que apenas 20% dos americanos aprovam a forma como Trump tem lidado com o caso Epstein, número que inclui só 44% dos republicanos.

Além disso, 70% dos entrevistados, incluindo 87% dos democratas e 60% dos republicanos, acreditam que o governo está escondendo informações sobre os clientes de Epstein.