A imprensa estatal chinesa Xinhua, em artigo publicado na terça‑feira (18), denunciou de forma veemente as declarações recentes da primeira‑ministra japonesa Sanae Takaichi, que utilizou a hipótese de uma ação militar em Taiwan como uma afronta à segurança japonesa.
Perante afirmações provocadoras, os setores da política chinesa destacam a militarização do Japão, o aumento dos gastos com armamentos e a flexibilização das restrições à exportação de armas como fatores reveladores dos objetivos de Takaichi.
A postura oficial da China é que as palavras da funcionária não se limitam apenas a ameaças militares, mas também revelam revanchismo histórico. A publicação afirma que as declarações da premiê a levaram ao alinhamento com revisionistas históricos, que negam as agressões históricas japonesas frente a seus vizinhos asiáticos.
Um passado colonial de agressão
Recentemente, a agência japonesa Sankei News repercutiu uma manifestação de Takaichi em 1994, quando ocupava o cargo de líder do Partido Liberal Democrático. A gravação registra Takaichi utilizando o palanque para censurar a posição do então primeiro-ministro Tomiichi Murayama, que expressou arrependimento pelas ações do Japão durante a Segunda Guerra Mundial.
"Você acha que tem o direito de se desculpar pelo que os líderes fizeram 50 anos atrás?", perguntou Takaichi. "Não acho correto que alguém peça desculpas arbitrariamente em nosso nome."
"Acredito que, como atual Primeiro-Ministro do Japão, como representante do Japão e perante as forças armadas asiáticas, é natural que se expresse profundo pesar e remorso pelo mal que causou àqueles que foram afetados. E acredito que esta é uma questão sobre a qual todo o povo japonês deve refletir," respondeu Murayama.
O ex-premiê, que morreu em outubro de 2025, reafirmou sua posição no jubileu de 50 anos da derrota nazifascista em 1995, quando caracterizou como "equivocada" a política japonesa de então, que, "por meio de seu domínio colonial e agressão, causou enormes danos e sofrimento aos povos de muitos países".
Provocações e revanchismo
A publicação da Xinhua indica que as posições de Takaichi afrontam o espírito de responsabilidade expresso por Murayama, indicando que a ascensão política da primeira-ministra "foi nutrida na terra envenenada do revisionismo histórico."
Takaichi declarou no início do mês que uma emergência militar em Taiwan poderia ser considerada uma situação ameaçadora à sobrevivência do Japão, que provocaria a mobilização do contingente militar japonês.
"Se envolver o uso de navios de guerra e ações militares, poderá, sem dúvida, tornar-se uma situação de risco de sobrevivência, na qual o Japão poderia usar a força para se defender", afirmou perante ao Parlamento, iniciando um desgaste diplomático entre os países.
Embora o governo tenha indicado posteriormente que a fala não altera a posição do país frente ao entendimento firmado com a China em 1972, que reconhece Taiwan como parte inalienável do território chinês, nenhuma retratação foi apresentada e as reações negativas se seguiram.
Segundo a agência chinesa, Takaichi pretende usar a questão de Taiwan como pretexto para justificar uma ruptura estratégica do país. "Sua retórica provocativa, portanto, não é apenas uma afronta à soberania da China, mas uma manobra calculada para redefinir a identidade securitária do Japão e normalizar a expansão militar", aponta a publicação.