
Leite de barata tem quatro vezes mais nutrientes que o leite de vaca, apontam pesquisadores

Pesquisas sobre o chamado leite de barata têm despertado atenção na comunidade científica devido ao elevado valor nutricional da substância e ao potencial de transformá-la em um superalimento. Estudos conduzidos pelo Instituto de Biologia Regenerativa e de Células-Tronco da Índia analisaram a espécie Diploptera punctata e identificaram que o líquido produzido pelo inseto apresenta densidade nutricional muito superior à de leites convencionais, publicou o R7 nesta segunda-feira (17).
A Diploptera punctata é uma barata vivípara, característica que a diferencia das espécies mais comuns. Durante o desenvolvimento dos embriões, a fêmea produz um composto nutritivo que serve de alimento para os filhotes, desempenhando função semelhante à do leite em mamíferos. Esse líquido é formado por cristais proteicos que reúnem carboidratos, açúcares e nove aminoácidos essenciais.
Potencial nutritivo
De acordo os pesquisadores, que analisaram o material por 54 dias, o leite de barata apresentou quantidade de proteínas e calorias quatro vezes maior que a encontrada no leite de vaca e superou também o leite de búfalo em densidade nutricional.

A composição coloca o leite de barata entre os alimentos mais concentrados em nutrientes já estudados e abre espaço para discussões sobre seu possível uso no combate à desnutrição. No entanto, os cientistas ressaltam que o produto ainda se limita ao ambiente experimental e não há evidências que permitam classificá-lo como seguro para consumo humano.
A aceitação pública, no entanto, é apontada como um dos principais entraves caso o composto avance para fases mais aplicadas. A origem do líquido gera resistência cultural e repulsa, o que dificulta sua incorporação em dietas humanas. Além disso, o método de extração, realizado diretamente do trato digestivo das fêmeas e de seus embriões, levanta questionamentos éticos e ambientais.
Outro desafio é logístico: a substância é difícil de ser obtida em grande volume. Os pesquisadores estimam que seriam necessárias mais de mil baratas para produzir 100 ml.
