
Prostituição através do engano: a verdade sobre bordéis para soldados americanos no Japão pós-guerra

Um documento recentemente divulgado pelas autoridades da prefeitura de Niigata, no Japão, demonstrou que os bordéis institucionais do país, no período de 1945 a 1946, foram formados principalmente por meio do engodo de mulheres necessitadas, conforme relatado na segunda-feira (17) pela imprensa japonesa.
De acordo com o documento, os bordéis foram projetados e catalogados pelas autoridades japonesas como "estações de conforto" a serviço das tropas ocupantes. Estes estabelecimentos operavam explorando as condições precárias das mulheres locais após a derrota e rendição do Japão militarista na Segunda Guerra Mundial.
"Os agentes tentavam atrair mulheres empobrecidas, prometendo-lhes roupas, comida e alojamento de qualidade em várias regiões, incluindo Niigata", afirma Hideaki Shibata, autor de "Violência Sexual na Era da Ocupação", uma publicação que estuda este fenômeno social em profundidade. "Na realidade, o trabalho nesses bordéis era praticamente obrigatório para as mulheres que não tinham outros meios de subsistência", acrescentou.

Exploração institucionalizada
Um relatório sobre o assunto, apresentado pelo governador de Niigata ao governo japonês, detalhou inclusive a estrutura tarifária dessas atividades. Os preços variavam de 20 a 200 ienes por serviços sexuais prestados aos militares americanos. As mulheres eram recrutadas por meio de anúncios em jornais que prometiam condições favoráveis em meio à crise do pós-guerra.
A imprensa japonesa indica que os burocratas provavelmente acreditavam que poderiam "apaziguar as forças de ocupação através do entretenimento sexual", institucionalizando tais atividades.
Apesar de essas "estações de conforto" terem sido implementadas pelo governo japonês para manter o controle sanitário e a ordem moral diante da entrada do Exército dos EUA no país, o relatório do próprio governador assinala que as tropas ocupantes causavam diversos problemas devido ao seu comportamento "rebelde e arrogante" no tratamento das profissionais do sexo.
