
'Mais sozinhos do que nunca': por que há cada vez mais solteiros no mundo?

A proporção de solteiros no mundo avançou de forma expressiva e tem pressionado as taxas de natalidade em países ocidentais classificados como de "primeiro mundo", informa a revista The Economist.

Segundo a publicação, desde 2010 a fatia de pessoas que vivem sozinhas aumentou em 26 dos 30 países historicamente considerados "ricos", o que acende alertas sobre o futuro demográfico e sobre um possível enfraquecimento de culturas e tradições nacionais.
Novas políticas trabalhistas
A revista aponta que um dos fatores é a ampliação da presença feminina no mercado de trabalho reduz a necessidade de depender financeiramente de um parceiro.
Com maior autonomia, mulheres têm sido mais exigentes na escolha de um companheiro. Além de manter a jornada profissional, o homem precisa dividir tarefas domésticas e assumir funções antes vistas como "incompatíveis" com seu papel.
Influência da vida digital
Para a revista, redes sociais e seus padrões estéticos, financeiros e sociais também dificultam a formação de casais. Ao estimular expectativas "fora da realidade", cresce o movimento de rejeição da vida afetiva sob o argumento da "seletividade".
A The Economist cita, como exemplo, que muitas mulheres em aplicativos de namoro buscam parceiros com pelo menos 1,85 metro de altura, o que elimina cerca de 85% dos homens disponíveis.
A "digitalização da rotina" também restringe contatos presenciais. Com mais tempo diante das telas, interações "cara a cara" perdem espaço, em parte pelo receio de abordagens diretas.
Nesse contexto, para muitos, viver solteiro tornou-se uma forma prática de lidar com a crise econômica, social e cultural. Sem compromissos ou interferências externas, cresce a opção por priorizar o conforto individual.
