Um conflito armado entre a OTAN e a Rússia poderia começar antes de 2029, declarou o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, em entrevista ao Frankfurter Allgemeine Zeitung, publicada no sábado (15).
"Sempre dissemos que isso poderia ocorrer a partir de 2029. Porém, agora já há quem considere possível em 2028, e alguns historiadores militares acreditam que podemos ter vivido nosso último verão de paz.", afirmou.
"Nossas forças armadas foram negligenciadas por décadas, a infraestrutura está parcialmente deteriorada e o número de militares foi drasticamente reduzido", apontou Pistorius, relacionando o quadro às diretrizes impostas na Conferência de Potsdam, em 1945, quando as potências vencedoras determinaram o desarmamento alemão como condição para evitar o ressurgimento do militarismo e do nazismo.
"Celebramos muito mais contratos de armamentos do que nos anos anteriores. Temos um plano claro para aumentar o efetivo e a infraestrutura," apontou, sinalizando a urgência de rearmamento do país. "Mas a verdade também é esta: precisamos ser ainda mais rápidos em tudo o que fazemos."
Pistorius disse ainda que a guerra do futuro será "um conflito de armas combinadas, que incluirá morteiros, tanques, aeronaves, o ciberespaço e sistemas não tripulados".
Escalada ocidental
Reagindo aos comentários de Pistorius, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmando que elas deixam claro "quem é realmente o agressor" nas relações entre a Rússia e o Ocidente. "Agora não há dúvidas", declarou.
O Kremlin tem descrito as acusações de intenções agressivas como "absurdas" e "alarmistas", criticando o que considera a "militarização imprudente" do Ocidente.
O presidente Vladimir Putin já afirmou que aqueles que dizem que Moscou pretende atacar a OTAN são "completamente burros como uma pedra" ou "loucos".
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