
Estados Unidos deslocam maior porta-aviões do mundo para o Caribe

O USS Gerald R. Ford, maior porta-aviões do mundo, entrou no mar do Caribe em meio a uma intensificação das atividades militares dos Estados Unidos próximas à Venezuela.

"Por meio de um compromisso inabalável e do uso preciso de nossas forças, estamos preparados para combater as ameaças transnacionais que buscam desestabilizar nossa região", declarou o Almirante Alvin Holsey, comandante do Comando Sul dos EUA.
"O destacamento do grupo de ataque do porta-aviões USS Gerald R. Ford representa um passo crucial para reforçar nossa determinação em proteger a segurança do Hemisfério Ocidental e a segurança do território americano", acrescentou.
A embarcação é equipada com tecnologia de ponta e capacidade para transportar dezenas de aeronaves, sendo vista como um instrumento central na estratégia militar dos Estados Unidos. O governo norte-americano não especificou por quanto tempo o porta-aviões permanecerá na região nem se novas ofensivas estão previstas.
A agressão dos EUA contra a Venezuela
Desde agosto, os Estados Unidos têm destacado uma força militar significativa na costa da Venezuela composta por navios de guerra, submarinos, aviões de combate e tropas, justificando essas ações como parte da luta contra o narcotráfico. Desde então, os militares realizaram vários bombardeios contra embarcações que supostamente transportavam drogas no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico, deixando mais de 70 mortos.
Paralelamente, Washington acusou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de liderar uma organização de tráfico de drogas, sem apresentar provas que sustentem tal afirmação.
Falso pretexto da luta contra o narcotráfico
Diante das acusações dos Estados Unidos, as autoridades venezuelanas articularam uma resposta unificada que rejeita o quadro de confronto bilateral e denuncia que se trata de uma campanha de agressão multilateral. Maduro classificou as ações de Washington como uma campanha de difamação e afirmou que essa estratégia busca manchar a imagem da Venezuela e de sua revolução como pretexto para agressões, algo que "já fizeram muitas vezes".
O presidente venezuelano explicou repetidamente que as agressões dos EUA contra a Venezuela visam "mudar o regime" no país e se apropriar de sua "imensa riqueza petrolífera".
Condenações internacionais
A posição venezuelana encontrou apoio na comunidade internacional. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, declarou que as ações dos Estados Unidos "não levarão a nada de bom". Classificando como inaceitável a destruição de navios sem "julgamento ou processo", o ministro das Relações Exteriores afirmou que "é assim que agem os países fora da lei". Além disso, alertou que a política do governo Trump "não melhorará a reputação de Washington perante a comunidade internacional".
Além disso, as operações militares, que incluem bombardeios contra barcos de pequeno porte, foram condenadas pelo alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, bem como pelos governos da Colômbia, México e Brasil. Especialistas internacionais classificaram esses ataques como "execuções sumárias" que violam o direito internacional.


