'Canibalismo, tirania e selva': deputada espanhola diz que colonização salvou o México

Cayetana Álvarez de Toledo exaltou a conquista espanhola, atacou Claudia Sheinbaum e rejeitou pedidos de perdão aos povos indígenas.

A deputada espanhola Cayetana Álvarez de Toledo voltou a causar polêmica ao exaltar o processo de colonização da América Latina e rejeitar os pedidos de desculpa feitos por governos mexicanos recentes à Espanha.

"A Espanha merece toda a gratidão por ter se aliado aos bravos tlaxcaltecas para derrubar uma tirania que praticava canibalismo, por construir universidades no deserto e hospitais na selva", afirmou a parlamentar durante sessão plenária no Congresso dos Deputados, em Madri.

Álvarez de Toledo reagiu às declarações do ministro da Cultura da Espanha, Ernest Urtasun, que em outubro reconheceu, de maneira inédita, os danos causados pela conquista espanhola aos povos indígenas. O ministro integra o governo do presidente Pedro Sánchez.

Durante seu discurso, a deputada também fez ataques diretos à presidente do México, Claudia Sheinbaum, ao mencionar o assassinato do prefeito mexicano Carlos Manzo.

"A responsabilidade é individual, não coletiva; Sheinbaum a carrega por sua política de acobertamento de narcotraficantes. Que ela peça desculpas ao povo mexicano e à viúva de Carlos Manzo (...). Acabe com essa farsa de uma vez por todas. Há 500 anos, a civilização avançou na América e continua avançando apesar de seus inimigos e, apesar de você também", declarou.

Governo Sánchez responde ataque político

A resposta veio do próprio Urtasun, que acusou a congressista de tentar deslegitimar governos de esquerda na América Latina. "Este governo está trabalhando para fortalecer os laços com a América Latina", disse.

"O debate sobre o perdão, Sra. Álvarez de Toledo, não lhe interessa muito; o que a incomoda é que haja um governo de esquerda no México, porque o que a senhora gostaria é que o Sr. Milei governasse o México", concluiu o ministro.