
ONU: ser mulher no Sudão é indicador de fome, violência sexual e abandono em meio à guerra civil

A Comissão sobre o Status da Mulher das Nações Unidas alertou na terça-feira (11) para a grave situação enfrentada por mulheres no Sudão, em meio à guerra civil.
O órgão instou a comunidade internacional a agir com urgência, colocando a proteção das mulheres como prioridade diante da crise humanitária no país africano.
Segundo a Comissão, cerca de 11 milhões de mulheres estão expostas à fome, deslocamento forçado e violência sexual.
Desnutrição

O relatório aponta que 73,7% das mulheres no Sudão não têm acesso a uma dieta minimamente diversificada, o que reflete uma alimentação extremamente limitada e alto risco de desnutrição.
O documento, baseado em entrevistas no país, afirma que mulheres e meninas comem por último e em menor quantidade. Durante períodos de escassez, é comum que mulheres abdiquem de suas refeições para alimentar os filhos. Adolescentes do sexo feminino recebem as menores porções. A prática já tem consequências diretas: há relatos de desnutrição aguda entre bebês em razão da redução da amamentação.
"O alerta de gênero lançado hoje mostra que o simples fato de ser mulher no Sudão é um forte indicador de fome", afirmou a Comissão no comunicado.
Violência sexual
A crise também afetou drasticamente os serviços de saúde, com cerca de 80% das unidades fora de operação. Como resultado, muitas mulheres têm sido obrigadas a dar à luz em condições precárias, algumas vezes até nas ruas.
O documento denuncia ainda o uso sistemático da violência sexual como arma de guerra. Segundo a Comissão, "os corpos das mulheres se tornaram cenas de crime. Não há mais espaços seguros nem locais onde mulheres e meninas possam se reunir, buscar proteção ou ter acesso mesmo aos cuidados psicossociais mais básicos. A dignidade básica entrou em colapso".
Para a ONU, o cenário atual representa uma das crises mais severas do mundo para a população feminina. "A violência sexual, os deslocamentos forçados e o colapso dos serviços essenciais transformaram o Sudão na crise mais extrema do mundo para mulheres e meninas. Em suma, a guerra no Sudão é uma guerra contra as mulheres, exigindo ação imediata e urgente da comunidade internacional", conclui o comunicado.
