Braskem pagará R$ 1,2 bilhão por afundamentos causados pela extração de sal-gema em Maceió

Montante será destinado ao governo de Alagoas e não às famílias atingidas pelo colapso do solo.

A empresa Braskem anunciou a assinatura de um acordo com o governo de Alagoas para o pagamento de R$ 1,2 bilhão em compensações pelos danos provocados pelos desmoronamentos de solo em Maceió, causados pela exploração de sal-gema. As informações foram divulgadas pela Agência Brasil nesta terça-feira (11).

O montante será direcionado ao Estado de Alagoas e não às famílias afetadas diretamente pelo desastre, que forçou a evacuação de cerca de 60 mil pessoas em cinco bairros da capital alagoana. De acordo com comunicado da empresa, o valor será quitado ao longo de dez anos, com R$ 139 milhões já desembolsados até agora.

"O saldo deverá ser quitado em dez parcelas anuais variáveis corrigidas, principalmente após 2030, considerando a capacidade de pagamento da Companhia", detalhou a empresa em nota a investidores.

Segundo o documento, o acerto prevê compensação, indenização e ressarcimento ao estado, com o objetivo de garantir a "reparação integral de todo e qualquer dano patrimonial e extrapatrimonial". O acordo inclui ainda a extinção da ação judicial movida pelo governo estadual contra a companhia, mas ainda depende de homologação judicial para ser validado.

"A celebração do acordo representa um significativo e importante avanço para a companhia em relação aos impactos decorrentes do evento geológico em Alagoas", afirmou a Braskem.

O desastre teve início em 2018, quando a extração de sal-gema comprometeu a estabilidade do solo e provocou afundamentos em áreas urbanas dos bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol.

O deslocamento forçado de milhares de famílias transformou o cenário urbano de Maceió e gerou uma série de ações civis e criminais.

Em novembro de 2023, a prefeitura decretou estado de emergência devido ao risco de colapso em uma das minas da empresa, localizada na lagoa Mundaú. A Defesa Civil passou a monitorar diariamente a movimentação do solo. No mesmo período, a Polícia Federal indiciou 20 pessoas e encaminhou o inquérito à 2ª Vara Federal de Alagoas.

Além do acordo com o governo estadual, a Braskem enfrenta ações paralelas. Em julho de 2025, a Defensoria Pública de Alagoas solicitou na Justiça uma indenização de R$ 4 bilhões por conta da desvalorização dos imóveis localizados próximos às áreas afetadas.

A Braskem é controlada pela Novonor (antiga Odebrecht) e tem a Petrobras como sócia, detendo 47% das ações com direito a voto.