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Comitê Olímpico Internacional deve proibir atletas trans de competirem em provas femininas

Nova política, baseada em revisão científica, deve ser anunciada no início do próximo ano e entrar em vigor antes dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
Comitê Olímpico Internacional deve proibir atletas trans de competirem em provas femininasGettyimages.ru / Wally Skalij

O Comitê Olímpico Internacional (COI) deve anunciar, no início de 2026, uma nova política que proibirá a participação de mulheres trans em competições femininas.

A decisão se baseia em uma revisão científica que concluiu haver vantagens físicas permanentes em atletas que nasceram do sexo masculino, segundo informações do jornal The Times, publicadas nesta segunda-feira (10).

Até agora, as diretrizes do COI permitiam a participação de mulheres trans mediante a redução dos níveis de testosterona, cabendo a cada modalidade esportiva definir suas próprias regras. A mudança deverá ser oficializada sob a gestão da nova presidente da entidade, Kirsty Coventry, que afirmou ter como prioridade a "proteção da categoria feminina".

De acordo com o jornal britânico, a diretora médica e científica do COI, Jane Thornton, apresentou no início de novembro aos membros do comitê, em reunião em Lausanne, na Suíça, os resultados preliminares da revisão científica sobre atletas trans e competidores com diferenças de desenvolvimento sexual (DSD).

Fontes presentes na reunião afirmaram que a apresentação demonstrou, com base em evidências, que há "vantagens físicas relacionadas ao sexo de nascimento que permanecem mesmo após tratamentos hormonais".

O novo regulamento deve ser oficializado por volta da sessão do COI durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, em fevereiro, e será elaborado para garantir respaldo legal. A expectativa é que a política entre em vigor antes dos Jogos de Los Angeles, em 2028.

A medida também deve abranger atletas com DSD, ou seja, pessoas criadas como mulheres, mas que possuem cromossomos masculinos e níveis elevados de testosterona. 

O jornal pontua que tema ganhou destaque após a polêmica nos Jogos de Paris 2024, quando as boxeadoras Imane Khelif, da Argélia, e Lin Yu-Ting, de Taiwan, conquistaram medalhas de ouro, mesmo após terem sido desclassificadas no Mundial anterior por questões de elegibilidade de gênero.

Esportes como atletismo e natação já adotaram restrições semelhantes, enquanto outras modalidades, como o futebol, ainda permitem a participação de mulheres trans, diz a publicação.

Coventry afirmou em junho que o COI busca uma "abordagem científica e de consenso com as federações internacionais" para tratar do tema.

Ainda segundo o The Times, o objetivo do comitê é estabelecer uma regra uniforme e cientificamente fundamentada para proteger a categoria feminina e garantir a equidade nas competições.