O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou neste domingo (9), durante discurso na 4ª Cúpula entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e a União Europeia (UE), os deslocamentos norte-americanos em águas da América Latina.
''A ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe. Velhas manobras retóricas são recicladas para justiçar intervenções ilegais'', afirmou o presidente, sem mencionar os Estados Unidos diretamente.
"Somos uma região de paz e queremos permanecer em paz. Democracias não combatem o crime violando o direito internacional. A democracia também sucumbe quando o crime corrompe as instituições, esvazia os espaços públicos, destrói famílias e desestrutura negócios".
É importante lembrar que esta não é a primeira vez em que o governo brasileiro critica as ações militares dos EUA. Em setembro, o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira afirmou que a América Latina não pode "admitir intervenções externas, sob nenhum pretexto", argumentando que "permitir medidas de intimidação, sem nenhuma reação coletiva, seria um convite permanente a novas ingerências".
"Quando se trata do uso da força, não concordamos com a erosão da distinção entre combatentes e civis'', declarou Vieira na ocasião, alertando que a conduta ''poderia levar a que qualquer alvo seja julgado legítimo em ações militares'', em flagrante violação da Carta da ONU.
- Em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, um submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, alegando sua suposta disposição em combater o narcotráfico. Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostos lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, deixando dezenas de mortos.
- Washington acusou Maduro, sem provas ou fundamento, de liderar um suposto cartel de drogas. As mesmas acusações foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.
- O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, supostamente para combater o narcotráfico, que resultaram em dezenas de mortos. Especialistas e governos classificaram os ataques como execuções extrajudiciais.
- Os bombardeios também foram criticados pelos governos de países como Colômbia, México e Brasil, bem como por peritos da ONU, que afirmaram tratar-se de "execuções sumárias", em violação ao que consagra o direito internacional.