O governo da França iniciou nesta quarta-feira (5) o processo para suspender o site da varejista chinesa Shein, após denunciar a venda de bonecas sexuais com aparência infantil em sua plataforma. A decisão ocorre no mesmo momento em que a empresa inaugurava sua primeira loja física no mundo, em Paris.
Anteriormente, o parlamentar Antoine Vermorel-Marques também denunciou que a plataforma vendia armas como socos ingleses e machetes, cuja posse e comercialização são proibidas na França.
Um comunicado do Ministério das Finanças reproduzido pelo Le Parisien determina que a empresa deve comprovar "que todo o conteúdo disponível em sua plataforma está em conformidade com as leis e regulamentos franceses".
Entenda o caso
O caso veio à tona na sexta-feira (31), quando autoridades francesas encontraram bonecas com aparência infantil sendo vendidas no site da Shein. O governo classificou o conteúdo como inaceitável e abriu investigação. A denúncia gerou forte repercussão entre usuários e ativistas nas redes sociais.
Em nota reproduzida pela imprensa regional, a Shein reafirmou seu compromisso contra a exploração infantil, assegurando que está "cooperando integralmente com as autoridades francesas". O porta-voz da empresa na França, Quentin Ruffat, chegou a afirmar que a companhia está disposta a compartilhar "os nomes dos compradores" das bonecas, caso isso seja solicitado pela Justiça.
Segundo diferentes veículos, o anúncio teria sido publicado por um vendedor terceirizado que utilizava o marketplace da Shein, e não diretamente pela empresa.
Após a repercussão, a empresa suspendeu temporariamente a venda de produtos de terceiros na França, proibiu a comercialização de qualquer tipo de boneca sexual e removeu a categoria de produtos 18+ de seu site.
Inauguração sob protestos
A revelação coincidiu com a abertura da primeira loja física da Shein, instalada na tradicional loja de departamentos BHV Marais, no centro de Paris. Sob forte presença policial, grupos de ativistas pelos direitos das crianças protestaram nas imediações, exibindo cartazes com frases como "protejam as crianças, não a Shein".
O proprietário da BHV, Frédéric Merlin, citado pela revista Veja, afirmou à ter cogitado cancelar o contrato de locação após o escândalo, mas decidiu manter a parceria depois que a Shein anunciou a proibição total das bonecas sexuais, relatou ainda revista Veja.
Mesmo sob polêmica, a inauguração teve grande público: centenas de consumidores formaram filas para conhecer a nova unidade.