Sergey Kuznetsov, ucraniano suspeito de envolvimento na sabotagem dos gasodutos Nord Stream em 2022, iniciou greve de fome em 31 de outubro em uma prisão de segurança máxima na Itália, informou na terça-feira (4) seu advogado, Nicola Canestrini.
Segundo Canestrini, o suspeito "recusa-se a comer para exigir o respeito a seus direitos fundamentais, incluindo o direito a uma alimentação adequada, a um ambiente saudável, a condições de detenção dignas e a tratamento igualitário em relação aos outros reclusos no que diz respeito a visitas familiares e acesso à informação".
O caso integra uma disputa jurídica complexa: após o Tribunal de Bolonha ordenar a extradição para a Alemanha em setembro, o Tribunal de Cassação anulou a decisão. Um novo painel judicial reavaliou o caso e novamente determinou a extradição, mas Canestrini já recorreu ao Tribunal Supremo, que deve dar o veredito final no fim de novembro.
Sabotagem e terrorismo
Os gasodutos Nord Stream 1 e 2 foram explodidos no dia 26 de setembro de 2022, desencadeando grandes vazamentos de gás no Mar Báltico.
- Os governos da Dinamarca, Alemanha e Suécia se recusaram a divulgar os resultados de suas investigações sobre o caso e ignoraram os pedidos da Rússia, que pediu para auxiliar, informou o New York Times à época.
- Em 2022, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou que por trás dos ataques estava alguém "capaz de organizar as explosões de forma técnica e que já recorreu a esse tipo de sabotagens", insinuando envolvimento do governo dos Estados Unidos.
- Em 2023, o renomado jornalista norte-americano Seymour Hersh concluiu que a Casa Branca, sob comando do então presidente Joe Biden, estava por trás do atentado.
Outros relatórios da imprensa ocidental responsabilizaram grupos de sabotagem ucranianos pela explosão, que teriam chegado ao local do ataque em um iate chamado Andrômeda.
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