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Lula diz que houve 'matança' em megaoperação no RJ e defende investigação independente

"Do ponto de vista da ação do Estado, eu acho que ela [operação] foi desastrosa", afirmou o presidente.
Lula diz que houve 'matança' em megaoperação no RJ e defende investigação independenteAP / Eraldo Peres

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta terça-feira (4), que o governo federal realize uma investigação independente sobre a megaoperação que deixou mais de 120 mortos no Rio de Janeiro na última semana, informou a imprensa.

"A decisão do juiz era uma ordem de prisão, não tinha uma ordem de matança, e houve a matança. Eu acho que é importante a gente verificar em que condições ela se deu", afirmou Lula em entrevista a agências de notícias internacionais.

O mandatário explicou que seu governo está articulando para que legistas da Polícia Federal participem das investigações sobre as mortes da ação. "Até agora temos uma versão contada pelo governo do estado e tem gente que quer saber se tudo aquilo aconteceu do jeito que eles falam", acrescentou.

"Do ponto de vista da quantidade de mortes, as pessoas podem considerar um sucesso. Mas do ponto de vista da ação do Estado, ela foi desastrosa", concluiu o presidente.

Operação mais letal da história do RJ

O governo do Estado do Rio de Janeiro lançou, na última semana, uma megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital fluminense. A ação, que faz parte da Operação Contenção, é considerada a mais letal da história do estado, deixando mais de 120 mortos, entre eles 4 policiais.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o governador Cláudio Castro (PL) fornecesse informações sobre o planejamento e execução da ofensiva. Ele atendeu a uma solicitação do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), órgão formado por representantes do governo federal, l, do Ministério Público, da Defensoria Pública, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Congresso Nacional, da Polícia Federal e de entidades da sociedade civil.

Em resposta, o governo do Rio defendeu a "legalidade" e a "proporcionalidade" da operação, alegando que "todas as etapas foram executadas com foco na preservação da vida, na proteção dos moradores das comunidades envolvidas e na redução de riscos colaterais".