Notícias

Trump ameaça atacar a Nigéria 'com toda a força do arsenal dos EUA'

O presidente norte-americano ordenou ao Departamento de Guerra que se prepare para uma "ação potencial" para proteger cristãos no país africano.
Trump ameaça atacar a Nigéria 'com toda a força do arsenal dos EUA'Gettyimages.ru / Samuel Corum

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou neste sábado (1º) atacar a Nigéria caso o governo do país africano não tome as medidas necessárias para conter o assassinato de cristãos.

"Se o governo nigeriano continuar permitindo o assassinato de cristãos, os Estados Unidos suspenderão imediatamente toda a ajuda e assistência à Nigéria e poderão entrar no país, agora desonrado, com toda a força do seu arsenal, para aniquilar por completo os terroristas islâmicos que cometem estas horríveis atrocidades", escreveu o mandatário estadunidense em seu perfil na rede Truth Social.

Na publicação, Trump ordenou ao Departamento de Guerra que se prepare para uma possível intervenção no território nigeriano.

"Se atacarmos, será rápido, brutal e contundente, tal como os terroristas atacam os nossos amados cristãos!", declarou, alertando as autoridades nigerianas de que precisam "agir rapidamente".

O foco de Trump na Nigéria

Na sexta-feira (31), o mandatário denunciou que os cristãos da Nigéria enfrentam uma "ameaça existencial" e sinalizou a possibilidade de impor sanções ao governo do país africano, por supostamente não conter os massacres.

"Milhares de cristãos estão sendo assassinados. Os islamistas radicais são os responsáveis por este massacre", escreveu o presidente norte-americano em sua rede Truth Social. Em consequência, anunciou que iria designar a Nigéria como "país de especial preocupação" no que diz respeito à liberdade religiosa.

Dados que desmentem Trump

Por sua vez, as autoridades nigerianas rejeitam as acusações dos EUA.

"Não existe nenhuma tentativa sistemática e intencional, nem por parte do governo nigeriano nem de qualquer grupo sério, de atacar uma religião em particular", afirmou o ministro da Informação, Idris Muhammed.

Analistas explicaram à imprensa que, embora os cristãos estejam entre os alvos do grupo extremista Boko Haram, a maioria das vítimas dos grupos armados são muçulmanos do norte da Nigéria, onde ocorrem a maior parte dos ataques.

De acordo com os números do programa norte-americano Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED), entre janeiro de 2020 e setembro deste ano, foram registradas 317 mortes em 385 ataques contra cristãos. No mesmo período, foram relatadas 417 mortes entre muçulmanos em 196 ataques.

"A violência afeta um grande número de cristãos e muçulmanos em vários estados da Nigéria", destacou, por sua vez, um relatório de 2024 da Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional.