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Comando Vermelho negociou compra de drone térmico - G1

Investigação que interceptou troca de mensagens entre integrantes da facção motivou megaoperação da última terça-feira (28).
Comando Vermelho negociou compra de drone térmico - G1Gettyimages.ru / Marccophoto

A Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) do Rio de Janeiro interceptou uma troca de mensagens entre integrantes do Comando Vermelho (CV), que revelaram a negociação de drones equipados com câmeras térmicas, capazes de detectar pessoas durante a noite. O equipamento seria utilizado para vigiar incursões policiais e ampliar o controle territorial da facção.

A investigação motivou, em parte, a megaoperação desta semana, que deixou mais de 120 mortos, informou o portal g1 nesta sexta-feira (31). Além da vigilância via drones, o CV já controla câmeras fixas nas comunidades para observar a movimentação policial e de gangues rivais, demonstrando um nível sem precedentes de organização e sofisticação na atividade do tráfico, através da combinação de controle territorial, inteligência de vigilância e armamento pesado.

Nas mensagens, um traficante comentou que prefere o "térmico" em vez de drones com câmeras comuns, enquanto outro responde que a organização criminosa precisa "se adequar à tecnologia". Os drones seriam usados para monitorar policiais e rivais em comunidades, sobretudo no Complexo da Penha, base estratégica do CV devido à sua proximidade com vias expressas e à facilidade para o escoamento de drogas e armamentos.

A DRE destacou que a facção controla 1.028 comunidades no estado e que a expansão territorial gera uma demanda crescente por recursos, armas e pessoas dispostas a matar ou morrer pelo grupo. As mensagens interceptadas também delineiam a hierarquia da organização, com escalas de plantão, controle de pagamentos, punições e até ordens de tortura e execução.