Rússia: Conflito não é pelos territórios, mas pelos direitos da população que vive nessas terras há séculos

O chanceler russo, Sergey Lavrov, lembrou que as forças russas são muito bem recebidas pelas populações nas cidades que libertam.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, apontou em entrevista neste domingo (26) os objetivos da operação militar especial, reiterando o argumento do presidente Vladímir Putin de que o país não luta tanto pelos territórios —incorporados à Rússia após os referendos de 2014 e 2022—, mas pelos direitos da população de língua russa.

"Para nós, não se trata dos territórios em si. Trata-se das pessoas que vivem nessas terras há séculos", enfatizou o chanceler. "Elas construíram cidades, entre elas Odessa, a famosa cidade fundada por Catarina, a Grande", lembrou, acrescentando que recentemente o regime de Kiev desmantelou seu monumento.

Nesse contexto, Lavrov denunciou que o líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, "deseja esquecer as páginas da história que, de uma forma ou de outra, vinculam ucranianos e russos". "Mas isso não vai acontecer. Eles não poderão destruir isso", afirmou.

O chanceler afirmou que, quando as forças russas liberam áreas nas províncias de Zaporozhie e Kherson, a população local permanece, apesar das tentativas do regime de Kiev de relocá-la para territórios sob seu controle:

"Eles ficam e dão boas-vindas aos soldados russos que os libertam", detalhou. "Portanto, não se trata da nossa vontade, nem do nosso 'espírito imperial', como alguns dizem. Trata-se da nossa preocupação com o futuro das pessoas que se sentem parte da cultura russa", destacou.

Lavrov também ressaltou que os objetivos da operação militar especial não mudaram. Ele lembrou que, quando o Ocidente buscava provocar uma "derrota estratégica" da Rússia, não havia negociações, mas agora suplica e ameaça o país euroasiático. "Parem imediatamente o fogo sem condições prévias, porque a Ucrânia está ficando sem armas. Precisamos reabastecer seus arsenais", ironizou.

Nesse sentido, destacou que atualmente as capitais europeias tentam "dominar a agenda com sua retórica" sobre a resolução do conflito. "Elas mudam sua postura dependendo do que acontece na linha de frente", observou.

"Estamos convencidos de que é necessário proteger as pessoas [que são vítimas] do regime nazista, aquelas que sempre fizeram parte da cultura russa. Falavam russo. Educavam seus filhos em russo. Assistiam a filmes russos. Recebiam notícias da mídia russa. Cultura, teatros, seja o que for", declarou Lavrov. Ele também ressaltou a incongruência entre a realidade na Ucrânia e sua Constituição, que garante os direitos das minorias nacionais, destacando especialmente a minoria russa.

Lavrov enfatizou que essa política foi uma das razões centrais da operação militar especial. "A primeira e principal razão é a OTAN, porque havia planos de incorporar a Ucrânia à aliança e construir bases militares na Crimeia, no mar de Azov, à nossa porta", lembrou.

"Outra causa fundamental é a destruição de tudo que é russo: a história, a língua, os meios de comunicação, a cultura, a educação, a demolição e destruição de monumentos dedicados a representantes do povo russo, fundadores das atuais regiões oriental e meridional da Ucrânia, e a derrubada de monumentos de quem salvou a Ucrânia e a Europa de Hitler e das hordas fascistas", explicou.

Nesse contexto, Lavrov enfatizou que "a chave para compreender como agir de forma eficaz nesta situação é eliminar as causas fundamentais da crise, e não tentar recuperar territórios ou salvar a imagem dos políticos que hoje estão em Kiev", afirmou.