Lula e Trump se encontram na Malásia em meio à guerra tarifária

O presidente dos EUA afirmou que é "uma grande honra" estar com o presidente brasileiro e destacou que os países precisam buscar acordos que sejam vantajosos para todos.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, se reuniu nesta domingo (26) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um tímido gesto de aproximação diplomática, marcado pela escalada de tarifas impostas pelo governo americano sobre produtos brasileiros.

O encontro aconteceu durante a 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em Kuala Lumpur.

Na sexta-feira, Lula já havia adiantado à imprensa que o tema comercial seria um dos mais importantes na agenda bilateral. "Tenho todo interesse em mostrar que os aumentos de tarifas foram um erro", disse o presidente, referindo-se ao aumento de 50% das tarifas dos EUA sobre diversos produtos exportados pelo Brasil.

Para Lula, o aumento "não tem fundamento", lembrando que os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 410 bilhões (R$ 2,2 trilhões) com o Brasil nos últimos 15 anos.

O presidente brasileiro também propôs discutir questões de segurança, em meio a operações militares realizadas pelos EUA nas águas do Caribe e do Pacífico sob alegação de combate às drogas, e à ameaça de Trump de autorizar ataques "por terra".

"Não se pode simplesmente dizer que vai invadir ou combater o tráfico em território alheio, desconsiderando a constituição de outros países, a autodeterminação dos povos e a soberania territorial de cada nação", afirmou Lula quando ainda estava em Jacarta, primeira parada de sua viagem pelo Sudeste Asiático.

Interesse dos EUA pela reunião

A possibilidade do encontro surgiu em setembro, quando Trump manifestou interesse em se reunir com Lula durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Foi o sinal mais forte de um "descongelamento" nas relações com Brasília, após a imposição das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

Lula deixou claro que considerou as tarifas americanos um ataque sem "justificação alguma", mas manteve abertas as portas para um diálogo respeitoso com seu par dos EUA, mesmo com diferenças ideológicas profundas entre ambos.

Um dos fatores que contribuiu para a guerra comercial foi o processo contra o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, aliado de Trump, pelo episódio de tentativa de golpe de Estado referente às eleições presidenciais de 2022. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, o que gerou críticas de Washington e sanções contra integrantes do Judiciário brasileiro.