Rússia se torna maior mercado de criptomoedas da Europa

Entre julho de 2024 e junho de 2025, o país movimentou US$ 376 bilhões em criptoativos — alta de US$ 256,5 bilhões em relação ao período anterior; o avanço foi impulsionado pelo crescimento de transações institucionais, expansão do DeFi e adoção da stablecoin A7A5, usada em pagamentos internacionais.

A empresa de análise Chainalysis, especializada em blockchain, anunciou na quinta-feira (16) que a Rússia se tornou o maior mercado de criptomoedas da Europa em volume de transações.

Segundo o relatório da empresa, entre julho de 2024 e junho de 2025, o país movimentou US$ 376 bilhões em criptoativos — alta de US$ 256,5 bilhões em relação ao período anterior —, superando o Reino Unido (US$ 273 bilhões). Alemanha (US$ 219 bilhões), Ucrânia (US$ 206,3 bilhões) e França (US$ 180,1 bilhões) completam os principais mercados europeus.

A Chainalysis atribui o avanço russo ao crescimento das transferências institucionais e à rápida expansão do DeFi (Finanças Descentralizadas), serviços financeiros executados em blockchains sem intermediários bancários. Transações acima de US$ 10 milhões subiram 86% em um ano, quase o dobro da média europeia de 44%, enquanto operações em DeFi mais que triplicaram desde 2023.

O relatório destacou a stablecoin A7A5, lastreada no rublo, como fator de impulso do mercado. Criada em fevereiro, tornou-se a primeira na Rússia a ser reconhecida como ativo financeiro digital (DFA), permitindo seu uso legal em liquidações externas.

A Rússia mantém postura cautelosa, mas progressiva, sobre criptomoedas. Ativos digitais não têm curso legal e são tributáveis, mas podem ser usados em transações internacionais. O Banco Central russo criou ainda uma plataforma experimental para negociação de ativos digitais por investidores qualificados.

O país legalizou a mineração — restrita em regiões com déficit energético até 2031 — e, neste ano, o Sberbank lançou títulos estruturados atrelados ao Bitcoin.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, classificou a regulamentação das criptomoedas como uma “direção promissora” e defendeu a criação de uma estrutura legal e tecnológica para seu uso interno e internacional.