
Militares tomam poder em Madagascar após caos político

As manifestações ocorridas no último mês em Madagascar culminaram com os militares assumindo o poder e o impeachment do presidente Andry Rajoelina, informou a agência de notícias Reuters.
Na segunda-feira (13), na Praça 13 de Maio, em Antananarivo, capital do país, milhares de manifestantes marcharam entoando palavras de ordem e exibindo cartazes que chamavam Rajoelina de "fantoche francês" por conta de sua dupla cidadania e o apoio dos antigos colonizadores.

Rajoelina negou ter renunciado, mas deixou o país na segunda-feira (13) com a ajuda das autoridades francesas, que afirmam não ter envolvimento nos assuntos internos da ilha africana. Na noite do mesmo dia, o político afirmou que saiu do país porque recebia ameaças de morte.
"O poder foi tomado", declarou o comandante do exército, Michael Randrianirina, que liderou a rebelião. Ele acrescentou que todas as instituições foram dissolvidas, exceto a câmara baixa do parlamento – a Assembleia Nacional.
Entre os órgãos suspensos estão o Senado, o Supremo Tribunal Constitucional, a Comissão Eleitoral Nacional Independente, o Supremo Tribunal de Justiça e o Conselho Superior para a Defesa dos Direitos Humanos e do Estado de Direito.
Líder de uma unidade de elite das forças armadas do país, a CAPSAT, o Coronel Michael Randrianirina, de 51 anos, assumiu o poder. Anterioramente, a CAPSAT apoiou a chegada de Rajoelina ao governo em 2009. Ele foi governador da região de Androy entre 2016 e 2018, depois chefe de um batalhão de infantaria na cidade de Toliara até 2022. Em seguida, foi promovido ao cargo de comandante da CAPSAT, conforme informa a Reuters.
O presidente ainda em exercício havia tentado dissolver a câmara baixa por meio de um decreto. Em seguida, seus colegas de coalizão no poder votaram no seu impeachment, acusando‑o de conduta incompatível com as funções presidenciais.
Randrianirina planeja fazer um governo de transição por dois anos até a realização de novas eleições.
- As manifestações começaram em 25 de setembro após cortes de água e eletricidade no país, dando origem ao movimento chamado "Leo Délestage".
- As autoridades responderam utilizando gás lacrimogêneo e balas de borracha.
- Os protestos passaram a ter um caráter político. Os manifestantes protestavam contra a corrupção, crise econômica e falta de serviços públicos básicos.
- O presidente deixou o país na segunda-feira (13) com o apoio das autoridades francesas.

