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Paquistão critica mudanças em plano dos EUA para encerrar guerra em Gaza

Ministro das Relações Exteriores afirma que proposta de Trump foi alterada em relação ao rascunho discutido com países árabes e muçulmanos.
Paquistão critica mudanças em plano dos EUA para encerrar guerra em GazaGettyimages.ru / Lev Radin/Pacific Press/LightRocket

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, disse nesta sexta-feira (3) que o plano de 20 pontos apresentado pelos Estados Unidos para encerrar a guerra em Gaza não corresponde ao rascunho elaborado por países árabes e muçulmanos.

"Eu deixei claro que os 20 pontos que o presidente (Donald) Trump tornou públicos não são nossos. Mudanças foram feitas em nosso rascunho. Eu tenho o registro", afirmou, segundo o jornal Dawn.

O governo norte-americano divulgou o documento na última segunda-feira (29), pouco antes de Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu anunciarem a proposta em Washington. O plano prevê cessar-fogo, retorno de reféns, desarmamento do Hamas e uma nova estrutura política para Gaza, sem participação do grupo palestino.

Segundo a imprensa americana, alterações foram feitas em reunião de seis horas entre Netanyahu, Jared Kushner e o enviado especial Steve Witkoff. Entre as mudanças está a retirada israelense vinculada ao desarmamento do Hamas e a permanência de tropas em uma zona de segurança até que não haja risco de "ameaça terrorista".

O texto foi inicialmente apresentado como resultado de um esforço conjunto entre EUA, Israel e líderes árabes e muçulmanos que se reuniram em Nova York, na semana passada, durante a Assembleia Geral da ONU. Em comunicado, oito países, incluindo Catar, Turquia, Arábia Saudita e o próprio Paquistão, deram boas-vindas à iniciativa.

Ainda assim, líderes da região pedem mais discussões. "Se falamos dos principais objetivos, há metas que o plano alcança, como acabar com a guerra, e há pontos que precisam de esclarecimento", disse o primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani. O chanceler do Egito, Badr Abdelatty, acrescentou: "Precisamos de mais discussões sobre como implementá-lo, especialmente em duas questões importantes, governança e segurança".

Horas depois, o Hamas respondeu oficialmente a proposta. Em comunicado divulgado pela Al Jazeera, o movimento afirmou que está disposto a libertar todos os reféns israelenses, vivos e mortos, em troca da retirada completa das forças de Israel do enclave. O grupo também declarou aceitar iniciar negociações mediadas por terceiros e transferir a gestão de Gaza a um órgão independente de autoridades palestinas, apoiado por países árabes e islâmicos.