O pedido formal da Palestina para integrar o BRICS foi recebido com naturalidade pelo governo brasileiro e deve avançar sem grandes resistências dentro do grupo.
A solicitação, revelada por fontes diplomáticas ouvidas pela Band nesta segunda-feira (29), deve ser analisada e aprovada na próxima cúpula da organização, agendada para o ano que vem, na Índia, ainda sem data definida.
Segundo integrantes do Itamaraty ouvidos pela reportagem, há um entendimento de que a entrada da Palestina como membro associado deverá ser bem aceita por todos os atuais integrantes. O apoio brasileiro já é dado como certo, e a avaliação interna é de que não haverá objeções significativas, uma vez que os demais países do BRICS reconhecem oficialmente o Estado palestino.
De acordo com diplomatas envolvidos nas negociações, a proposta prevê que a Palestina entre inicialmente como observadora, com a possibilidade de evoluir para membro pleno futuramente — exatamente como deseja o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.
Ele já havia afirmado, durante a cúpula da ONU em outubro de 2024, que "a Palestina está pronta para contribuir com o BRICS em qualquer formato, seja como membro pleno, parceiro ou observador".
Neste ano, Abbas voltou a defender o ingresso palestino no BRICS, em discurso realizado de forma virtual. A fala ocorreu em razão de uma proibição de entrada nos Estados Unidos imposta pelo governo de Donald Trump.
Na ocasião, o presidente reforçou a estratégia de ampliar a atuação da Palestina em fóruns multilaterais, especialmente diante do agravamento dos confrontos em Gaza e da estagnação nas negociações de paz no Conselho de Segurança da ONU.
Em julho deste ano, durante a cúpula do BRICS realizada no Rio de Janeiro, os líderes dos países-membros voltaram a defender um cessar-fogo imediato no Oriente Médio e reiteraram o apoio à plena adesão da Palestina às Nações Unidas.
Atualmente, o BRICS é composto por 11 membros plenos — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia — além de oito países parceiros: Belarus, Bolívia, Cuba, Cazaquistão, Malásia, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.