O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, apontou a principal causa dos problemas globais durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU neste sábado (27).
A raiz dos problemas reside nos incessantes esforços de dividir o mundo em ''nós'' e ''eles'', em ''democracias'' e ''autocracias'', em ''jardim florescente'' e ''selva'', em quem ''está à mesa'' e quem ''está no cardápio'', afirmou o chanceler russo.
Ele destacou que a atual ordem global privilegia poucos países, a quem tudo é permitido, enquanto o restante, por alguma razão, é obrigado a servir a seus interesses.
"As violações generalizadas e flagrantes do princípio da igualdade soberana dos Estados minam a própria fé na justiça, provocando crises e conflitos".
Nesse contexto, Lavrov destacou que o Ocidente tem violado repetidamente o princípio de não usar a força ou ameaçá-la, listando exemplos históricos e contemporâneos:
''Os bombardeios da OTAN à Iugoslávia, a invasão do Iraque pela coalizão liderada pelos EUA e a operação militar da OTAN para promover uma mudança de regime na Líbia resultaram em tragédias. Hoje, o uso ilegal da força por Israel contra os palestinos e suas ações agressivas contra Irã, Catar, Iêmen, Líbano, Síria e Iraque ameaçam devastar todo o Oriente Médio", concluiu.
Por que esperaram tanto?
Em seguida, o ministro lembrou que a Rússia condenou o ataque perpetrado por membros do movimento palestino Hamas contra civis israelenses em 7 de outubro de 2023. Ele ressaltou que, apesar disso, não há justificativa para a matança de civis palestinos, tampouco para o ''castigo coletivo da população da Faixa de Gaza, onde crianças morrem devido a bombardeios e à fome, hospitais e escolas são destruídos, e centenas de milhares ficam desabrigados''. Lavrov também criticou os planos israelenses de anexação da Cisjordânia.
Ao reconhecer que uma série de países do Ocidente formalizaram o reconhecimento da Palestina nos últimos dias, questionou:
''Já haviam anunciado a intenção de fazê-lo há vários meses. Surge a pergunta: por que esperaram tanto? Ao que parece, esperavam que em breve não restasse mais nada para reconhecer''.
"A situação exige medidas urgentes para evitar tal cenário, como defenderam firmemente os participantes da Conferência Internacional de Alto Nível sobre a Questão da Palestina”, resumiu.