
Trump associa aumento nos casos de autismo ao paracetamol: o que dizem os cientistas?

Em pronunciamento televisionado sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) nesta segunda-feira (22), o presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. e outras autoridades da área, relacionou a condição ao uso do Tylenol (marca que produz paracetamol), durante a gravidez.
🇺🇸 Trump associa aumento nos casos de autismo ao paracetamol: o que dizem os cientistas?🇨🇺Trump chegou a afirmar que em Cuba, um país que "não tem dinheiro" para comprar o medicamento Tylenol [marca que produz paracetamol], não existem pessoas autistas. pic.twitter.com/KBHnkGlWKp
— RT Brasil (@rtnoticias_br) September 23, 2025
O mandatário anunciou ainda que a Food and Drug Administration, responsável pela regulação de alimentos e medicamentos, aprovou a leucovorina, um quimioterápico, como tratamento para aliviar sintomas do autismo, apesar de haver poucas evidências de que o remédio funcione.
Também entra em vigor imediato um alerta para que médicos não recomendem o paracetamol e outros medicamentos amplamente usados a pacientes grávidas.
O que dizem os cientistas?
Uma pesquisa publicada pelo jornal científico Environmental Health aponta que a utilização por gestantes do paracetamol, analgésico utilizado para dores de cabeça e resfriado, pode aumentar o risco para Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividad (TDAH) e Transtorno do Espectro Autista (TEA).
"Em última análise, os dados sugerem fortes evidências de que o uso pré-natal de paracetamol aumenta o risco de TDAH e autismo em crianças", escreveram os cientistas.

Segundo um outro estudo divulgado em maio pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), cerca de 1 em cada 31 crianças de 8 anos foi diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Especialistas da área da saúde citados pela imprensa dos EUA, no entanto, atribuem o aumento no número de casos à melhoria na detecção do autismo desde que o diagnóstico foi desenvolvido, lembrando que os critérios foram ampliados ao longo dos anos.
''As taxas de autismo sem deficiência intelectual estão aumentando mais rapidamente do que os diagnósticos de autismo com deficiência intelectual, o que mostra que é esse grupo — que teria passado despercebido no passado — que representa a maior parte do aumento nos diagnósticos'', observou Zoe Gross, diretora da Autistic Self Advocacy Network, ao jornal The Hill.
