Irã adverte Ocidente caso não haja acordo: tomaremos 'medidas necessárias'

"A prosperidade da região, o regime de não proliferação e o direito internacional exigem que se encontre uma solução diplomática, e estamos plenamente preparados para isso", anunciou o chanceler iraniano.

Teerã ameaçou tomar "medidas necessárias" caso não consiga chegar a um acordo com os países europeus durante a 80ª sessão da Assembleia Geral da ONUdeclarou nesta segunda-feira (22) o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.

Na sexta-feira (19), o Conselho de Segurança da ONU bloqueou o levantamento das sanções contra o país persa com 9 votos contra, 4 a favor e 2 abstenções.

"Eles testaram a República Islâmica do Irã em diferentes momentos e sabem que não respondemos com pressões ou ameaças. Em vez disso, respondemos com respeito e dignidade. Se há uma solução, ela é apenas diplomática. Espero que possamos chegar a esse ponto nas consultas destes dias; caso contrário, a República Islâmica do Irã tomará medidas necessárias", anunciou o ministro das Relações Exteriores.

No mesmo contexto, Araghchi dirigiu-se à França, Alemanha e Reino Unido, o chamado grupo E3, que anunciou em agosto ter ativado o mecanismo de restituição rápida antes de perder a capacidade de restabelecer as sanções contra Teerã em meados de outubro.

Trata-se do mecanismo conhecido como "snapback", previsto na Resolução 2231 do Conselho de Segurança, que consagrou o acordo nuclear de 2015, já desfeito entre o Irã e o Reino Unido, Alemanha, França, Rússia e China, chamado de 'Plano de Ação Conjunto Global' (JCPOA).

"Se a ação destrutiva dos três países europeus no Conselho de Segurança for implementada, o Irã reagirá", disse Araghchi .

"Enfrentamos novas condições"

Segundo o chanceler iraniano, a sessão da Assembleia Geral deste ano apresenta duas características: "Primeiro, é o 80º aniversário da fundação das Nações Unidas e, mais importante, participamos da Assembleia Geral após o ataque e a agressão do regime sionista e dos Estados Unidos contra nosso país", detalhou o ministro. "Portanto, a importância deste ano é que expressemos as posições dos direitos do povo iraniano na defesa de doze dias da posição de autoridade e resistência", acrescentou.

"Ao mesmo tempo, devemos enfatizar a natureza pacífica do programa nuclear do Irã e que a República Islâmica do Irã é fundamentalmente um país amante da paz, mas, como ficou demonstrado na Guerra dos Doze Dias, defende-se poderosamente mesmo em tempos de guerra", disse Araghchi, referindo-se ao conflito iniciado por Israel em 12 de junho deste ano com um ataque não provocado contra o Irã e que terminou em 24 de junho, quando ambas as nações anunciaram um cessar-fogo.

Além disso, o chanceler anunciou que está prevista uma reunião com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi: "Abordaremos a situação atual do programa nuclear iraniano, o acordo entre o Irã e a AIEA", detalhou.

"Em entrevista coletiva após o acordo com a Agência [AIEA], enfatizei que, se as sanções forem restabelecidas, o acordo com a Agência também será invalidado. O acordo de cooperação com a Agência foi assinado após a agressão e, se a reativação for implementada, enfrentaremos novas condições", continuou.

Segundo Araghchi, trata-se de "uma oportunidade adequada para celebrar as consultas finais sobre o desenvolvimento do 'snapback'": "Como reiteramos em várias ocasiões, a República Islâmica do Irã sempre optou pela via diplomática baseada em uma solução pacífica", reiterou.

"O Irã demonstrou que busca a diplomacia e continuamos dispostos a alcançar uma solução diplomática desde que os interesses da nação iraniana sejam garantidos, nossas preocupações com a segurança sejam abordadas e, levando em conta esses aspectos, cheguemos a um acordo diplomático", afirmou o ministro das Relações Exteriores.

"Acreditamos que o bem da região, o regime de não proliferação e o direito internacional exigem que se encontre uma solução diplomática, e estamos totalmente preparados para isso", resumiu.