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Luigi Mangione pede fim de acusação federal e contesta legalidade da pena de morte – Bloomberg

Defesa alega que declarações públicas e exposição midiática comprometeram direito a julgamento justo.
Luigi Mangione pede fim de acusação federal e contesta legalidade da pena de morte – BloombergGettyimages.ru / Spencer Platt

A defesa de Luigi Mangione, acusado de matar a tiros um executivo da UnitedHealth Group Inc., solicitou à Justiça dos Estados Unidos o arquivamento da acusação federal ou a exclusão da possibilidade de pena de morte. A informação foi publicada pela Bloomberg neste sábado (20).

Os advogados alegam que declarações da procuradora-geral Pam Bondi e de outras autoridades violaram os direitos constitucionais do réu.

Mangione, de 27 anos, se declarou inocente das acusações. Ele foi preso dias após o assassinato de Brian Thompson, ocorrido em dezembro na porta de um hotel em Midtown Manhattan. A prisão ocorreu no estado da Pensilvânia.

Além do processo federal, Mangione também responde a acusações no âmbito estadual. Na terça-feira (16), um juiz de Nova York retirou duas acusações relacionadas a terrorismo, incluindo uma que previa prisão perpétua obrigatória.

Em um memorando enviado à juíza distrital Margaret Garnett, os advogados Karen Friedman Agnifilo e Marc Agnifilo argumentaram que o réu teve seus direitos prejudicados quando foi transferido para Nova York algemado e escoltado por agentes armados, em uma operação que incluiu a presença do prefeito Eric Adams.

A defesa comparou a cena a "um filme da Marvel", afirmando que esse tipo de exposição pública, conhecida como perp walk, já foi considerado inconstitucional.

"Como parte de um esforço orquestrado para garantir uma acusação que permitisse pena de morte contra Mangione e obter o máximo de publicidade no processo, a Procuradora-Geral e outras autoridades violaram de forma intencional e repetida seus direitos constitucionais", disseram os advogados no documento.

Segundo a defesa, Bondi teria apressado a decisão de buscar a pena de morte e ignorado protocolos adotados por administrações anteriores para avaliar casos de homicídio passíveis de pena capital. A decisão de apresentar a acusação de homicídio qualificado foi anunciada em 1º de abril.

"A Procuradora-Geral dos Estados Unidos, bem como agentes da lei e a mais alta autoridade eleita da cidade de Nova York, aproveitaram todas as oportunidades para comprometer a chance de Mangione de ter um julgamento justo diante do grande júri e em todo o processo judicial", escreveram os advogados.

No documento, os defensores descrevem Mangione como um ex-aluno exemplar e orador da turma no estado de Maryland, caracterizado por amigos como "gentil" e "inteligente".

"Agora ele luta por sua vida contra um governo que busca executá-lo", afirmou a defesa.

A promotoria federal tem até 31 de outubro para responder às alegações. Um porta-voz do procurador dos Estados Unidos em Manhattan, Jay Clayton, disse que não comentaria o caso.

Até o momento, não há data marcada para o julgamento federal. No processo estadual, Mangione ainda responde por homicídio doloso em segundo grau e outras oito acusações. Ele também se declarou inocente nesse caso.

Promotores estaduais indicaram que pretendem iniciar o julgamento antes do processo federal, embora também não haja data definida.