
Netanyahu acusa China e provoca resposta diplomática furiosa

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, desencadeou uma grave crise diplomática ao acusar publicamente a China de liderar, juntamente com o Catar, um "cerco" midiático e de legitimidade contra Israel, informa o Ynet. Essas declarações provocaram uma resposta incomum e contundente de Pequim, que as classificou como "infundadas" e exortou o governo israelense a agir com "sabedoria política".
"Assim como o Irã nos impôs um cerco na época, na esperança de nos destruir, e nós o quebramos, hoje está se tentando impor um novo cerco a Israel, liderado pelo Catar e também por países como a China", afirmou em declarações aos legisladores americanos na última segunda-feira, afirmando que essa campanha é "financiada com enormes somas de dinheiro" e impulsionada por inteligência artificial.

Além disso, ele alertou em uma conferência governamental em Jerusalém que Israel deve se transformar em uma "super-Esparta" para superar o isolamento diplomático em que está entrando. De acordo com o Ynet, a crise reflete a crescente preocupação de Israel com a aproximação sino-iraniana, que incluiria assistência para reconstruir o programa de mísseis balísticos de Teerã e o fornecimento de sistemas de defesa aérea.
Resposta de Pequim
Após dois dias de silêncio, a Embaixada da China em Israel emitiu uma resposta contundente, expressando sua "comoção" pelas declarações do líder israelense. "Essa afirmação é infundada, prejudica as relações bilaterais e nos opomos firmemente a ela", afirma o comunicado.
"Culpar Pequim após criticar certas plataformas de redes sociais é como um paciente que procura desesperadamente todos os médicos, apontando para a fonte errada e tomando a receita errada", acrescenta. O texto também critica as ações militares israelenses em Gaza e insta a um cessar-fogo e à "sabedoria política" e "diplomacia criativa" em vez de "bombardeios intermináveis".
"A comunidade internacional exige um cessar-fogo imediato para garantir o retorno seguro dos reféns israelenses e evitar uma catástrofe humanitária ainda maior. Somente a segurança compartilhada, e não a segurança às custas de outros, pode trazer uma paz duradoura", enfatiza.
Por sua vez, especialistas israelenses mostraram surpresa com a ação pública de Netanyahu, destacando o tradicional apoio pró-palestino da China. Alguns analistas sugeriram que essas declarações poderiam ser um sinal calculado de alinhamento com Washington. No entanto, eles alertaram que Pequim não esquecerá essa acusação e poderá exigir um pedido de desculpas ou responder com retaliações econômicas sutis, como restringir as exportações israelenses sob pretextos de segurança, destaca o Ynet.

