Um juiz federal da Flórida rejeitou nesta sexta-feira (19) o processo de US$ 15 bilhões movido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o jornal New York Times, a editora Penguin e dois jornalistas.
O magistrado Steven Merryday afirmou que a ação era "repleta de vituperação [ofensas, insultos ou censura violenta contra alguém] e invectiva [iscurso rude e ofensivo com a intenção de ferir]" e não cumpria as regras de procedimento civil federal. Trump terá 28 dias para reapresentar o caso, informou a imprensa norte-americana.
Segundo Merryday, a queixa violava a Regra 8(a) das normas federais, que exige uma exposição "curta e simples" das alegações.
O juiz destacou que a denúncia, embora tratasse de apenas duas acusações de difamação, se estendia por 85 páginas. .
Ele também apontou que o documento apresentava "muitas, frequentemente repetitivas e laudatórias [em relação ao presidente Trump], mas supérfluas alegações", além de "detalhes abundantes e enfadonhos".
O juiz esclareceu que sua decisão não analisava a veracidade das acusações, mas reforçou que uma ação judicial não é o espaço adequado para "a agregação de provas potenciais" nem para a "recitação prolongada de autoridades legais".
Trump havia apresentado a ação na segunda-feira (15), acusando o jornal e a editora de atuarem como "porta-voz" do Partido Democrata e de "espalhar conteúdo falso e difamatório" sobre ele.
A defesa do presidente argumenta que o New York Times teria deturpado informações sobre sua herança, negócios imobiliários, vida escolar e até insinuado ligações com a máfia e lavagem de dinheiro.
"O Times traiu os ideais jornalísticos de honestidade, objetividade e precisão que antes professava", diz o processo.
Em resposta, um porta-voz do jornal declarou:
"Esta ação não tem mérito. Carece de fundamentos jurídicos legítimos e, em vez disso, é uma tentativa de sufocar e desencorajar a reportagem independente. O New York Times não será dissuadido por táticas de intimidação. Continuaremos a buscar os fatos sem medo ou favor e a defender o direito da Primeira Emenda dos jornalistas de fazer perguntas em nome do povo americano."