
Diosdado Cabello: Maduro disse que deveríamos nos preparar para a transição 'para a luta armada'

O ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello, declarou nesta sexta-feira (19) que o presidente Nicolás Maduro orientou o início de uma transição rumo à "luta armada".

Cabello indicou que a diretriz de Maduro responde ao aumento da atividade militar norte-americana na região, oficialmente destinada ao combate ao narcotráfico. Caracas, no entanto, considera a movimentação uma operação disfarçada com o objetivo de promover um "troca de regime".
"A ordem do presidente Nicolás Maduro é clara: devemos nos preparar para a transição para a luta armada", afirmou Cabello, acrescentando que o país deve estar em estado de alerta diante do que chamou de ameaças externas disfarçadas de operações antinarcóticos.
Mas observou que "isso não deve preocupar ninguém, porque é a preparação de um povo que quer garantir sua paz, sua soberania e sua independência, tudo dentro da estrutura da segurança integral e da defesa integral da nação".
Preparação para a defesa
Em resposta aos movimentos militares dos EUA, Maduro convocou o alistamento massivo de milicianos e lançou o "Plano Independência 200", que prevê o posicionamento da Força Armada Nacional Bolivariana em pontos estratégicos de todo o território.
Além disso, em 17 de setembro, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, anunciou o início da "Operação Caribe 200", um exercício de "apresto militar" na ilha de La Orchila. Ele afirmou que o país se prepara "para um cenário de conflito armado no mar".
Maduro, por sua vez, declarou que a Venezuela é alvo de "uma guerra multiforme" organizada pelos EUA, com o objetivo de provocar uma "mudança de regime". Já o presidente americano, Donald Trump, disse que não manteve conversas com membros de seu governo para esse tipo de ação.
- O aumento da presença militar dos Estados Unidos no Caribe sul provocou uma nova escalada de tensões entre Washington e Caracas. Segundo denúncia de Maduro, oito destróieres, 1.200 mísseis e um submarino nuclear estariam apontados diretamente para a Venezuela. No sábado, 13 de setembro, cinco caças F-35 chegaram a Porto Rico, se somando ao que a Casa Branca chama de operação contra cartéis.
- No dia 12 de setembro, forças militares americanas entraram na Zona Econômica Exclusiva da Venezuela e abordaram uma embarcação de pesca. A tripulação ficou detida por várias horas, e Caracas classificou a ação como uma manobra "ilegal".
- Enquanto isso, os fuzileiros navais em Porto Rico realizaram, em 18 de setembro, um exercício simulando um desembarque anfíbio. Além disso, Washington reabriu a Estação Naval Roosevelt Roads, uma base de cerca de 15,8 km localizada em território porto-riquenho, que estava fechada desde 2004.
