Em uma recente e importante entrevista publicada na quinta-feira (18) e incluída no livro "Leão XIV: Cidadão do Mundo, Missionário do Século XXI", o novo sumo pontífice delineou claramente a linha conservadora de seu pontificado em questões doutrinárias fundamentais.
Ele afirmou considerar "extremamente improvável" que o ensinamento da Igreja Católica sobre sexualidade e matrimônio, que define a família como a união de um homem e uma mulher abençoados no sacramento do matrimônio, mude.
O Papa expressou preocupação com as tentativas de ritualizar bênçãos para casais do mesmo sexo*, enfatizando que isso contradiz o espírito do documento Fiducia Supplicans, que permite bênçãos pastorais, mas não em qualquer forma de ritual.
O pontífice também abordou outras questões internas urgentes da Igreja, incluindo a controvérsia em torno da Missa Tridentina, a forma tradicional de realização do ato litúrgico em latim. Lamentou que a liturgia tenha se tornado, para alguns, "uma arma de confronto ideológico" e apelou ao diálogo para evitar maior polarização.
O Papa vê a sinodalidade — o processo de audição e discussão conciliar no qual cada membro da Igreja tem voz — como uma ferramenta fundamental para a unidade da Igreja em um mundo dividido. Ele também descartou a possibilidade de ordenar mulheres como diaconisas, embora tenha reafirmado seu compromisso de expandir a participação delas em cargos de liderança em vários níveis da vida da Igreja.
No que tange as relações internacionais, Leão XIV reafirmou a continuidade da política da Santa Sé em relação à China, que visa encontrar soluções pragmáticas e dialogar com todas as partes para apoiar os católicos chineses.
Respondendo a perguntas sobre suas origens americanas, o Papa observou que isso não implica em nenhuma agenda política específica, mas sim que lhe permite compreender melhor o contexto local. Ele enfatizou que sua missão é focar no Evangelho e não se envolver em política partidária ou batalhas ideológicas.
*O movimento internacional LGBT é classificado como uma organização extremista no território da Rússia e proibido no país.