Os EUA vetaram nesta quinta-feira uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que exigia um cessar-fogo imediato e permanente em Gaza, o levantamento das restrições humanitárias e a libertação dos reféns do Hamas. A resolução obteve 14 votos a favor e um único voto contra, o dos EUA.
Desde o início do conflito entre Israel e o Hamas, há quase dois anos, Washington usou seu veto seis vezes para apoiar Tel Aviv. Morgan Ortagus, enviada especial adjunta dos EUA à ONU, justificou o veto argumentando que a resolução "não condena o Hamas nem reconhece o direito de Israel de se defender", e que legitima "narrativas falsas" que beneficiam o grupo palestino.
A Rússia criticou a postura dos EUA, apontando que o processo de paz não avançará enquanto os EUA mantiverem essa posição e a diplomacia multilateral for vista como um obstáculo. O Hamas classificou o veto como "cumplicidade no genocídio" israelense, enquanto o embaixador palestino na ONU lamentou que a medida atrapalhe a proteção dos civis.
Nas redes sociais, foi divulgado um vídeo do embaixador israelense Danny Danon cumprimentando Ortagus com entusiasmo após a votação. "Olá, amigo! Como você está?", exclamou a diplomata o vê-lo . O gesto foi interpretado como um agradecimento aos EUA.
A votação ocorreu dias depois que uma comissão da ONU concluiu que Israel comete genocídio em Gaza e após o início da ofensiva terrestre israelense na cidade.