O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, classificou como "grosseria profunda" e "mentiras" a decisão do governo dos Estados Unidos de incluir o país sul-americano na lista de nações que não cooperam suficientemente no combate ao narcotráfico.
A medida, anunciada na segunda-feira (16) pelo Departamento de Estado, rompe com três décadas de parceria e pode resultar em sanções econômicas e militares.
Durante pronunciamento à população na quarta-feira (17), Petro afirmou que a medida representa uma tentativa de ingerência externa nos assuntos internos da Colômbia.
"Simplesmente, os EUA participam da política interna da Colômbia, querem um presidente fantoche. O povo colombiano responderá, se quer um presidente fantoche como o que vendeu o Panamá ou quer uma nação livre ou soberana", escreveu o mandatário nas redes sociais, ao comentar a publicação de uma jornalista sobre a suposta colaboração de autoridades opositoras com a política antidrogas de Washington.
O chefe de Estado também divulgou dados da Organização das Nações Unidas (ONU) para contestar os argumentos dos EUA.
Segundo ele, o aumento das plantações de coca tem relação direta com o consumo mundial. "A razão do crescimento desses cultivos, como em toda mercadoria, se deve ao incremento do consumo no mundo, especialmente na Europa, enquanto se mantêm os níveis de consumo nos EUA", declarou.
Em resposta à medida norte-americana, Petro anunciou que a Colômbia deixará de depender de armamentos dos Estados Unidos.
"Se acaba a dependência do Exército da Colômbia e de suas forças militares do armamento dos EUA. Ao Exército da Colômbia vai melhor se compra suas armas ou as faz com nossos próprios recursos, porque, senão, não será um Exército da soberania nacional", afirmou durante reunião com ministros.
A descertificação poderá implicar na suspensão de ajuda econômica e militar dos Estados Unidos, na imposição de tarifas, em dificuldades para obter crédito internacional e na restrição à aquisição ou reparo de equipamentos militares norte-americanos.