Mais de 300 trabalhadores sul-coreanos foram detidos no dia 4 de setembro nos Estados Unidos em uma das maiores operações de imigração da presidência de Donald Trump, de acordo com matéria da BBC publicada na terça-feira (16).
Entre eles estavam os engenheiros de software, Youngjin e Chul-yong, que estavam nos EUA temporariamente para treinar funcionários em uma fábrica de baterias de carros elétricos das empresas sul-coreanas Hyundai e LG, na Geórgia.
Cenas de terror e pânico
Eles relataram que agentes armados invadiram seus quartos, os algemaram, prenderam cadeados em suas cinturas e tornozelos antes de levá-los de ônibus para centros de detenção.
Helicópteros e drones sobrevoaram o local enquanto oficiais apontavam armas e lasers vermelhos contra eles. Muitos não entenderam o motivo da prisão, já que estavam com os vistos válidos ou sob programas de isenção de visto.
No centro de detenção de Folkston, em Georgia, os trabalhadores enfrentaram frio intenso, água com cheiro de esgoto e falta de camas. "Eu tive um ataque de pânico. A água cheirava a esgoto e bebíamos o mínimo possível", contou Youngjin, que passou cinco semanas no país. Chul-yong relatou dormir em mesas e embrulhar-se em toalhas para se aquecer.
Intervenção diplomática
Eles só foram libertados após diplomatas sul-coreanos e advogados intervirem, permitindo que os trabalhadores retornassem voluntariamente sem penalidades.
O incidente gerou pedidos de investigação sobre possíveis violações de direitos humanos e abalou relações entre os EUA e a Coreia do Sul, especialmente após um acordo de investimentos sul-coreanos de US$ 350 bilhões no país.
Os trabalhadores se dizem traumatizados. Youngjin afirma que ainda sente pânico em locais fechados ou com cheiro semelhante ao da prisão.
Chul-yong descreve dificuldade em processar o que aconteceu: "Saí do aeroporto sorrindo, mas pensando nisso quase chorei", disse ao retornar ao seu país.
Ambos destacam que, apesar do choque, não têm escolha: “Se não fizer fazer este trabalho, como minha família vai viver?”