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Venezuela contesta relatório dos EUA sobre narcotráfico

Documento dos EUA inclui Venezuela entre países ligados ao tráfico; governo cita relatórios da ONU e nega envolvimento.
Venezuela contesta relatório dos EUA sobre narcotráficoGettyimages.ru / Carlos Becerra/Bloomberg

O governo da Venezuela divulgou divulgou nesta terça-feira (16) um comunicado oficial em que rejeita a inclusão do país em um relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos que o relaciona ao tráfico de drogas em 2025.

Caracas afirma que a acusação carece de fundamento e contradiz dados de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Yván Gil Pinto, informes da ONU entre 1999 e 2025 certificam que o país está livre de cultivos ilícitos. Documentos recentes da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) também não classificam a Venezuela como produtora, distribuidora ou rota de trânsito de entorpecentes.

O comunicado ressalta que "Venezuela não é produtor, nem traficante, nem cultivador, nem centro de acúmulo de drogas". Além disso, o governo informa que 70% das drogas que tentam atravessar o território nacional são interceptadas por operações internas de combate ao tráfico.

Dados da ONU citados por Caracas indicam que 87% da cocaína exportada pela Colômbia segue pelo oceano Pacífico, 8% pela região de La Guajira e apenas 5% tenta entrar na Venezuela.

O texto relaciona o aumento da produção de cocaína na Colômbia à implementação do Plano Colômbia, em 2009, que contou com a presença de bases militares dos Estados Unidos.

O governo venezuelano também aponta que os lucros do narcotráfico estão vinculados a esquemas de lavagem de dinheiro nos Estados Unidos.

De acordo com dados da ONU citados no comunicado, entre 20% e 30% dos recursos desse comércio ilegal são lavados no sistema financeiro norte-americano, alcançando o equivalente a 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Bancos como HSBC e Wells Fargo já foram multados por envolvimento em operações ilegais.

Caracas também acusou Washington de utilizar o tema do narcotráfico como instrumento de uma política de mudança de regime e reafirma que defenderá sua soberania e integridade "mediante todos os recursos disponíveis".