Na ONU, Rússia acusa Zelensky de prolongar conflito para se manter no poder

Representante russo na ONU afirma que a Ucrânia amplia o conflito armado sem avaliar as consequências que essa ação pode causar.

Na ONU, o Representante Permanente da Rússia, Vassily Nebenzia, afirmou nesta sexta-feira (12) que a Ucrânia tenta ampliar a área de seu conflito com Moscou sem avaliar as consequências. A declaração foi feita em resposta às acusações da Polônia sobre drones em seu espaço aéreo.

Durante a reunião do Conselho de Segurança da ONU, Nebenzia questionou a real finalidade das provocações: "em qualquer conflito, quando se trata de provocações, a questão-chave continua a mesma: quem se beneficia com isso?"

"A resposta neste caso é óbvia: toda essa histeria artificialmente exagerada beneficia exclusivamente o líder do regime de Kiev e o 'partido da guerra' europeu, que não está poupando esforços para frustrar as perspectivas de uma solução para a crise ucraniana, que surgiu como resultado dos contatos russo-americanos em agosto", acrescentou Nebenzia.

Zelensky não quer fim do conflito

O representante russo afirmou que o líder do regime ucraniano utiliza o conflito como instrumento político. Referindo-se ao fim do mandato de Zelensky em maio de 2024, disse que ele é "o principal oponente de uma solução política para a crise ucraniana, o que exporia sua ilegitimidade".

Segundo o diplomata, a continuidade das hostilidades serve para justificar brechas legais que permitem ao líder do regime de Kiev permanecer no poder, contornando procedimentos constitucionais.

"Sem o conflito, desaparece a base para o 'vácuo legal' que lhe permite permanecer no poder contornando os procedimentos constitucionais", enfatizou.

O diplomata russo apontou que a queda do apoio popular ao líder do regime ucraniano, conforme indicam diversas pesquisas, torna o conflito uma estratégia política.

Mentiras do Ocidente

Na quarta-feira, a Polônia anunciou que suas forças haviam detectado vários veículos aéreos não tripulados em seu espaço aéreo. O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, afirmou que 19 aeronaves russas foram registradas, das quais três drones foram abatidos.

Em seguida, líderes ocidentais reagiram com declarações infundadas apontando Moscou como responsável pelo incidente, apesar da falta de provas.

Na quinta-feira, o Ministro da Defesa da Polônia, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, informou que o Reino Unido, a Holanda, a França e outros aliados enviarão reforços militares a Polônia. Amsterdã apressou a entrega de duas de suas três baterias Patriot, enquanto Londres e Paris preparam o envio de caças Rafale e Eurofighter.

Ataque russo é "mito"

A Rússia negou qualquer intenção de atingir o território polonês durante o recente ataque às instalações do complexo militar-industrial ucraniano. O Ministério da Defesa explicou que o alcance máximo dos drones utilizados não ultrapassa 700 quilômetros e se mostrou aberta a consultas com a Polônia sobre o episódio.

O Ministério das Relações Exteriores russo classificou as acusações como "mitos" disseminados por Varsóvia, destinados a agravar a situação em torno da Ucrânia. Tanto o órgão diplomático quanto a Defesa reafirmaram a disposição de dialogar com as autoridades polonesas para esclarecer o incidente.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, criticou as acusações da UE e da OTAN, afirmando que acusam a Rússia "na maioria das vezes sem nem mesmo tentar apresentar quaisquer argumentos ".