
Carnes de espécies de tubarões ameaçadas são vendida com rótulos falsos nos EUA

Um levantamento publicado na terça-feira (9) na revista Frontiers in Marine Science apontou que a maior parte da carne de tubarão consumida nos Estados Unidos não está rotulada corretamente.
O estudo da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, analisou 29 produtos e concluiu que 93% tinham informações incompletas ou enganosas.
Espécies ameaçadas
Das amostras, 27 estavam identificadas apenas como "tubarão" ou "tubarão mako", sem especificação da espécie. A análise genética revelou 11 espécies diferentes, incluindo três seriamente ameaçadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Apenas uma amostra continha informações corretas no rótulo.
Entre os casos estavam o tubarão-martelo-grande (Sphyrna mokarran) e o tubarão-martelo-recortado (Sphyrna lewini). Segundo os pesquisadores, a imprecisão nos rótulos expõe consumidores ao risco de ingerir espécies desaconselhadas por altos níveis de mercúrio.

"A rotulagem incorreta e ambígua impede que os consumidores escolham conscientemente o que estão colocando em seus corpos", disse Savannah Ryburn, ecóloga marinha e principal autoral da pesquisa.
Carne vendida a preços baixos
Foram analisados 19 filés vendidos em supermercados, mercados de frutos do mar e estabelecimentos especializados, além de 10 produtos online, como carne seca. Para identificar as espécies, os pesquisadores usaram códigos de barra de DNA, técnica considerada rápida e confiável.
"Tubarões como o martelo-grande e o martelo-recortado são o equivalente oceânico dos leões marinhos, e ficamos chocados com o quão barato a carne desses predadores raros e longevos estava sendo vendida. Algumas amostras custavam apenas R$16 por quilo", afirmou Ryburn.
Pressão sobre populações de tubarões
Além da sobrepesca, populações de tubarões sofrem pressão pelo comércio de nadadeiras e pela extração de esqualeno, usado em cosméticos. Mesmo assim, o mercado de carne de tubarão cresce no mundo.
A pesquisa se soma a outras recentes que apontam falhas semelhantes nos EUA. Os cientistas defendem fiscalização mais rígida e regras claras para a rotulagem de frutos do mar, para proteger consumidores e espécies ameaçadas.
