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Medicamento experimental brasileiro devolve mobilidade a tetraplégicos

Fármaco desenvolvido pela UFRJ usa molécula da placenta e mostra resultados promissores, mas ainda aguarda validação da Anvisa.
Medicamento experimental brasileiro devolve mobilidade a tetraplégicosGettyimages.ru

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveram um medicamento experimental capaz de restaurar movimentos de pessoas com lesões na medula espinhal. O medicamento foi apresentado nesta terça-feira (9) pelo laboratório Cristália, informou a imprensa.

Chamado Polaminina, o fármaco é derivado da laminina, uma molécula retirada da placenta humana, geralmente descartada após o parto, que estimula a regeneração de neurônios e a recuperação de funções motoras.

O estudo, iniciado em 2018 em parceria com o laboratório Cristália, acompanha seis pacientes com lesões medulares completas, conhecidas como nível A, em que há perda total da função motora e sensibilidade. O laboratório aguarda há mais de 3 anos a liberação da Anvisa para realizar um estudo clínico regulatório ampliado.

A aplicação do medicamento ocorre diretamente na medula, dentro de até seis dias após a lesão, em doses minúsculas de um micrograma por quilo, visando restabelecer a comunicação entre cérebro e corpo.

A laminina é estudada há 25 anos pela professora Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ. "É uma molécula de funções primitivas. Está presente até em esponjas marinhas", explicou a cientista. Segundo ela, a laminina proporciona efeito duplo: neuroproteção, ao conter danos, e regeneração, ao estimular novas células.

Casos clínicos

Entre os pacientes, um caso se destacou: o analista Bruno Drummond, que aos 23 anos sofreu um acidente de trânsito e perdeu totalmente o controle de braços e pernas. Após receber o medicamento nas primeiras 24 horas e iniciar fisioterapia imediatamente, Drummond recuperou quase todos os movimentos e hoje consegue caminhar normalmente.

"No primeiro mês pós-medicação, o efeito foi sutil: consegui mexer o dedão do pé. Mas naquele momento, as expectativas são muito baixas", contou em coletiva nesta terça-feira (9) em São Paulo.

Os pesquisadores afirmam que, até o momento, não foram observados efeitos adversos relacionados ao fármaco. "Alguns efeitos seriam esperados nesse contexto, como dores de cabeça ou infecções, mas um médico externo constatou que estavam ligados à gravidade das lesões, e não ao medicamento", esclareceu Sampaio.