O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou em entrevista ao ex-presidente equatoriano Rafael Correa no programa "Conversando com Correa" da RT, que a oligarquia colombiana se transformou em uma organização do narcotráfico nos últimos 40 anos.
Ele detalhou que a Colômbia se tornou o maior produtor mundial de cocaína devido ao "Plano Colômbia", política antidrogas dos EUA que incluiu oito bases militares e investimentos superiores a US$ 100 bilhões.
Maduro explicou que antes a cocaína era exportada principalmente pelos portos do Pacífico colombiano, mas que hoje 70% da produção passa pelo Equador.
Ele apresentou dados detalhados: 87% da cocaína colombiana é escoada pelo Pacífico, 8% pelo norte, em La Guajira, e apenas 5% –, cerca de 100 toneladas –, tenta atravessar a Venezuela, e desse total o país consegue apreender e destruir 70%.
Tensão crescente
- Em agosto, a mídia internacional anunciou o deslocamento de tropas americanas para o sul do Caribe para combater cartéis de drogas. A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pamela Bondi, dobrou a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro sob a acusação infundada de liderar um cartel de drogas.
- Após o anúncio das operações dos EUA no Caribe, Maduro convocou o recrutamento em massa de milícias durante dois fins de semana consecutivos. Segundo dados oficiais, 8,2 milhões de pessoas responderam ao apelo.
- Caracas declarou que as ações hostis dos EUA têm como objetivo desferir um "ataque militar terrorista" para derrubar Maduro, chamando o envio de tropas por Washington de "ameaça" à paz na Venezuela e na região.
- Apesar do aumento das tensões, Maduro disse que os canais diplomáticos com os EUA, ainda que "deficientes", ainda existem e mostrou-se disposto a dialogar com seu homólogo norte-americano, Donald Trump, desde que o secretário de Estado Marco Rubio não imponha uma "diplomacia dos canhões".
Na última quinta-feira, o Pentágono afirmou que dois aviões militares venezuelanos sobrevoaram "perto de um navio da Marinha dos EUA em águas internacionais", o que considerou uma ação “provocadora” destinada a interferir nas suas "operações de combate ao narcotráfico" na região.
Posteriormente, Trump ameaçou derrubar os aviões militares venezuelanos se eles colocassem os EUA "em situação de perigo".
Enquanto isso, Maduro declarou que o país passaria à luta armada se fosse alvo de agressão. Nesse contexto, ele observou que Washington "deve abandonar seu plano de mudança violenta de regime na Venezuela e em toda a América Latina e no Caribe".