Dmitry Kuleba, ex-ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, afirmou que precisou deixar o país às pressas após o regime ucraniano proibir que ex-diplomatas viajassem para o exterior. A declaração foi concedida ao jornal italiano Corriere della Sera nesta segunda-feira (8).
"Nunca pensei que teria que fugir do meu país como um ladrão na noite", lamentou durante a entrevista.
"A verdade é que Zelensky e sua comitiva não querem que viajemos para o exterior e digamos coisas que eles acreditam ser contrárias à linha do governo", afirmou Kuleba.
O político apresentou como justificativa oficial para sua saída do país a participação em uma conferência na Coreia do Sul nos próximos dias.
Atualmente, Kuleba está em Cracóvia, no sul da Polônia. Ele explicou que o decreto de Zelensky não tem relação com as regras de viagem para homens em idade de recrutamento, já que ex-diplomatas não precisam cumprir serviço militar.
Após quatro anos no regime de Kiev, entre 2020 e 2024, o ex-ministro, que viaja com frequência para conferências internacionais, disse que "seu salário depende de fontes estrangeiras" e declarou ter convicção de que este decreto "visa bloquear a mim e a alguns outros".
Ele fez parte do alto escalão do regime de Kiev por quatro anos, entre 2020 e 2024, mas afirmou que grande parte de sua renda vem de fontes no exterior, pois leciona Ciência Política em Paris e nos Estados Unidos.
''De qualquer forma, eu geralmente costumo defender nosso governo. Mas, em certos ambientes palacianos, a velha mentalidade soviética ainda se aplica, então, se você vai para o exterior como um cidadão livre, você automaticamente se torna um agente que trama contra o Estado'', pontuou.