Rússia convoca embaixador argentino

Moscou rejeita acusações do Ministro da Segurança da Argentina, que acusou a inteligência russa espionar conversas telefônicas da Casa Rosada.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia convocou o embaixador argentino em Moscou, Enrique Ignacio Ferrer Vieyra, nesta segunda-feira (8), após alegações da ministra da segurança do país sul-americano, Patricia Bullrich, que acusou a inteligência russa de espionar conversas telefônicas da Casa Rosada.

"O embaixador argentino foi informado de que a parte russa rejeita firmemente as acusações da ministra", e que as considera "infundadas" e "sem provas", segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores.

"Foi observada a existência do Tratado entre a Rússia e a Argentina sobre Assistência Jurídica Mútua em Matéria Penal, que estabelece um procedimento para a interação correspondente entre as autoridades competentes dos dois países", declarou o Ministério das Relações Exteriores, acrescentando que as declarações de Bullrich "não contribuem para a manutenção das relações construtivas de amizade existentes" entre as duas nações.

Moscou "lamenta que Buenos Aires não esteja disposta a avançar no caminho de seu desenvolvimento progressivo", concluiu o Ministério.

Por fim, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia espera receber da Argentina "uma explicação detalhada" das "declarações inaceitáveis" da ministra "o mais rápido possível".

Em entrevista à Rádio Rivadavia, Bullrich disse na última segunda-feira (1º) que o governo apresentou acusações contra "pessoas ligadas aos antigos serviços de inteligência russos" pelo vazamento de gravações de áudio de Karina Milei, secretária-geral da Presidência e irmã do presidente Javier Milei.

Embora o conteúdo de tais gravações de áudio fosse inócuo, outra gravação atribuída a Diego Spagnuolo, ex-chefe da Agência Nacional para a Deficiência (Andis), afirma que ela e seu assessor, Eduardo 'Lule' Menem, cobraram propinas de 3 a 8% de empresas farmacêuticas privadas em troca de conceder-lhes contratos multimilionários para comprar medicamentos para instituições públicas.