
Ministro de Minas e Energia recua após ter sugerido uso de 'defesa nuclear' pelo Brasil

Após ter anunciado que o Brasil poderia recorrer à energia nuclear para fins de defesa, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), recuou da declaração. Por meio de nota divulgada na sexta-feira (5), a pasta afirmou que o país seguirá utilizando a tecnologia nuclear apenas para fins pacíficos, em conformidade com a Constituição, informou o Poder360.

No comunicado, o ministério destacou que "o uso da energia nuclear no Brasil só pode ser utilizado para fins pacíficos", citando aplicações em geração de energia limpa e medicina nuclear.
O texto ainda reforçou que o Brasil cumpre integralmente compromissos internacionais, como o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).
A nota de esclarecimento também explicou que a polêmica surgiu a partir de uma resposta dada pelo ministro a jornalistas após o evento de posse dos novos diretores da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.
Segundo o documento, Silveira foi questionado sobre soberania nacional em um contexto hipotético de debate futuro.
Contexto da fala
No mesmo dia, Silveira havia afirmado que o país poderia vir a considerar o uso militar da energia nuclear em meio a tensões internacionais.
"Infelizmente vivemos ataques muito fortes à nossa soberania. No longo prazo, tenho absolutamente certeza que os homens públicos do país vão ter que rever a posição para que mantenhamos um país soberano. Com tantas riquezas, temos que nos planejar para utilizar essa fonte [energia nuclear] para fins de defesa nacional", disse na ocasião.
De acordo com a nota oficial, o ministro defendeu que, diante de recursos estratégicos como água, terras férteis, minerais críticos, petróleo e a cadeia nuclear completa, a soberania nacional pode ser tema de debate legítimo em um futuro distante.
