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O ataque dos EUA à 'narcolancha' 'não aconteceu', afirma procurador venezuelano

Tarek William Saab classificou as ações dos EUA como "extremamente grosseiras", afirmando que Washington está usando a luta contra as drogas como pretexto para desestabilizar a situação na Venezuela.
O ataque dos EUA à 'narcolancha' 'não aconteceu', afirma procurador venezuelanoGettyimages.ru / Pedro Rances Mattey/Anadolu

O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, afirmou na quinta-feira (4) que a explosão de uma pequena embarcação que, supostamente, transportava drogas em águas internacionais do Mar do Caribe nunca aconteceu', apesar das afirmações do governo dos EUA.

O procurador afirmou que o vídeo foi provavelmente gerado por IA, enfatizando que, mesmo que o incidente fosse real, as ações dos EUA teriam violado o direito internacional, pois primeiro seria necessário tentar deter o navio, e não destruí-lo sem aviso prévio, ainda mais sem qualquer informação sobre ele.

Saab acusou os EUA de usar a luta contra o tráfico de drogas como pretexto para intervir e derrubar o governo na Venezuela.

"É extremamente grosseiro e inaceitável que os EUA utilizem a suposta luta, neste caso contra o tráfico de drogas, para provocar uma explosão interna em nosso país, encontrar justificativas baratas, mas extremamente graves, para uma intervenção militar em nosso país sob o falso pretexto de combater o tráfico de drogas", afirmou ele.

As autoridades venezuelanas já haviam afirmado anteriormente que o vídeo de Trump sobre o afundamento da "narcolancha" seria falso e criado por inteligência artificial. Elas apontaram para inconsistências na versão americana e acusaram os EUA de preparar uma intervenção sob o pretexto de combater o tráfico de drogas com o objetivo de mudar o regime e se apropriar dos recursos na nação caribenha.

  • Em agosto, a mídia internacional anunciou o deslocamento de tropas americanas para o sul do Caribe para combater cartéis de drogas. A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pamela Bondi, dobrou a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro sob a acusação infundada de liderar um cartel de drogas.
  • Após o anúncio das operações dos EUA no Caribe, Maduro convocou o recrutamento em massa de milícias durante dois fins de semana consecutivos. Segundo dados oficiais, 8,2 milhões de pessoas responderam ao apelo.
  • Caracas declarou que as ações hostis dos EUA têm como objetivo desferir um "ataque militar terrorista" para derrubar Maduro, chamando o envio de tropas por Washington de "ameaça" à paz na Venezuela e na região.
  • Apesar do aumento das tensões, Maduro disse que os canais diplomáticos com os EUA, ainda que "deficientes", ainda existem e mostrou-se disposto a dialogar com seu homólogo norte-americano, Donald Trump, desde que o secretário de Estado Marco Rubio não imponha uma "diplomacia dos canhões".